O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 17/02/2020

Um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, proposto pela ONU em 2015, é garantir a saúde e o bem-estar para toda a sociedade até o ano de 2030, a fim de acabar com as epidemias. Entretanto, o reaparecimento de doenças erradicadas coloca em risco toda a população brasileira e compromete o cumprimento dessa meta. Não há como negar que dois aspectos contribuem para esse panorama: o movimento antivacinação e a negligência governamental.

Inicialmente, o crescimento do movimento antivacina é alarmante em todo o mundo. O aumento do número de casos de sarampo, até então extinto, nos dois dos mais populosos estados do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, exemplifica a preocupação da OMS com a campanha, uma vez que, em um de seus relatórios no ano de 2019, a organização destacou como uma grande ameaça à saúde. De acordo com o escritor brasileiro Augusto Cury, nada é tão perigoso para a inteligência do que aceitar passivamente as informações. Dessa forma, a revista científica Lancet publicou em 1998, um artigo que relacionava a vacinação com o desenvolvimento do autismo em crianças. Embora a fraude na pesquisa tenha sido confirmada e a revista se desculpado, a ideologia contra a imunização é defendida até hoje, de tal maneira que colabora com o ressurgimento das enfermidades até então exterminadas.

Outrossim, a volta de doenças erradicadas retrata o descaso do governo com relação a saúde pública, ainda que a Constituição Federal de 1988 sentencie que o Estado brasileiro deve assegurar a saúde. Além da ignorância do povo e das empresas no descarte irregular de resíduos, a omissão do Estado em garantir o saneamento básico gera aumento da proliferação de animais transmissores de doenças. A febre hemorrágica é um exemplo de doença erradicada que retornou devido ao contato humano com roedores silvestres, tendo alguns casos registrados no Brasil em 2019. Ao contrário do princípio da responsabilidade do filósofo alemão Hans Jonas, no qual deve-se preservar o presente sem comprometer o futuro, o Brasil não fez um controle efetivo ao receber os refugiados da crise humanitária da Venezuela em 2019, o que permitiu o retorno de doenças totalmente eliminadas.

Portanto, constata-se que o ressurgimento de enfermidades erradicadas põe a saúde do brasileiro em perigo configurando-se como uma ameaça na sociedade. Sendo assim, é necessário que o Estado, que é responsável pela destinação dos recursos, eduque as pessoas acerca da vacinação, por meio de palestras informativas ministradas por profissionais da área de saúde. Ademais, é preciso que a mídia, que tem o poder de alcance entre as massas, fiscalize as ações governamentais a respeito da manutenção da saúde do povo, por meio de reportagens expondo os fatos. Essas propostas têm como finalidade erradicar novamente as doenças e, consequentemente, assegurar o bem-estar social.