O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 25/03/2020
Em 1904 a vacina foi introduzida pela primeira vez no Brasil pela ação do médico e sanitarista Oswaldo Cruz que procurava conter epidemias de varíola que ocorriam no Rio de Janeiro. Na época a ação foi recebida com muita desconfiança e insubordinação devido a falta de conhecimento e informação por parte da população, levando a eclosão da “Revolta da Vacina” (1904) que culminou no processo de vacinação obrigatória. Da mesma forma, mais de cem anos depois, por falta de instrução e entendimento as pessoas estão deixando de se vacinarem, levando ao retorno de doenças exterminadas a algumas décadas, desencadeando um grave problema de saúde pública. Destarte, medidas devem ser criadas para solucionar a problemática atual.
Entende- se como doenças erradicadas, enfermidades que após inúmeras vacinações coletivas não mais acometem a população de um local específico. Segundo o artigo 196 da Constituição Federal, promulgada em 1988, " A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas". Contudo, trinta anos após a promulgação da Carta Magna e inúmeras campanhas de vacinação, é notório o reaparecimento de doenças até então extintas como o sarampo, rubéola, poliomielite e difteria. Com a vacinação, aumenta-se a qualidade e expectativa de vida e reduz o número de mortandade.
Essa reincidência de doenças erradicadas, deve-se ao fato da disseminação de “fake News”, que em sua grande maioria, são criadas por grupos antivacinas e céticos da eficiência desse tipo de prevenção. Falsas informações são repassadas adiante por pessoas leigas, atingindo muitos outros indivíduos que tomam a informação como verdade absoluta e deixam de se imunizarem. A escassez das campanhas de divulgação e esclarecimentos sobre as vacinas, por parte do governo federal, contribui para a diminuição dos brasileiros que procuram postos de vacinação.Segundo dados do programa nacional de imunização do Ministério da Saúde, nos dois últimos anos, a meta de ter 95% da população alvo vacinada, contra as principais doenças não foi alcançada, entre 2016 e 2017.
Portanto, compete ao Ministério da Saúde, promover com maior intensidade campanhas de conscientização social nos meios de comunicação como em redes de televisão e na internet, além de investir na capacitação de agentes da área da saúde que visitem lares, levando conhecimento e informação nas áreas mais afetadas, e em parceria com o Ministério da Cidadania institua multas, para cidadãos que se recusem a se vacinar, direcionando fundos para pesquisas relacionadas a criação de vacinas e propagandas que informe a população sobre a importância da imunização. Com estas ações, atenuar-se-a o impacto causado pelo reaparecimento de doenças erradicadas.