O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 04/04/2020

Na história, foram inúmeros os episódios de pandemias - como a gripe espanhola e a peste bubônica - que dizimaram grande parte da população mundial devido ao não conhecimento do patógeno e não haver um remédio eficaz no tratamento. Entretanto, mesmo com os avanços biotecnológicos dos últimos anos, o reaparecimento de doenças como a Rubéola e o Sarampo, até então erradicadas no Brasil, têm colocado os órgão de saúde em alerta. Diante do crescente no número de casos, fica evidente a necessidade de medidas eficazes no combate a essa problemática para que não se torne rapidamente uma epidemia.

A priori, segundo dados do Ministério da Saúde, houve uma diminuição de mais de 37% na cobertura vacinal no Brasil entre os anos de 2008 e 2018. Tal fato está ligado principalmente a irresponsabilidade de muitos pais que adeptos de movimentos anti-vacinação, preferem colocar a vida de seus filhos em risco em prol de argumentos sem nenhuma base científica. Vale ressaltar que esse movimento expandiu-se pelo mundo pelas redes sociais, disseminando notícias falsas e corroborando para tal cenário. Diante disso, é preciso que o Estado faça valer a lei e obrigue esses pais a cumprir suas obrigações e visem a saúde de seus filhos como prioridade.

Outrossim, a venda ilegal de antibióticos sem receita médica é outro vetor de disseminação desse problema. Segundo dados da ANVISA, somente no ano de 2018 foram autuadas mais de três mil farmácias por essa prática. O uso dessas drogas sem a devida prescrição, ajuda a selecionar patógenos mais resistentes e consequentemente o surgimento de doenças mais agressivas sem a eficácia de medicamentos conhecidos no seu combate, sendo chamadas de “super bacterioses”. Tal fato ressalta a necessidade da fiscalização e o combate a vendada desses remédios, com o objetivo de desacelerar esse processo de seleção natural desses micro-organismos.

Diante disso, fica claro que é preciso a ação conjunta do Estado e da sociedade em geral, no controle e erradicação dessas doenças que reapareceram no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve desenvolver vídeos a serem exibidos nos canais de TV aberta, com o objetivo de alertar sobre os riscos da não vacinação de seus filhos, salientando que há leis punitivas para esses atos, com o intuito de corrigir o deficit da cobertura vacinal dos últimos anos.  Somado a isso, o Ministério Público em conjunto com a Anvisa, devem criar uma força tarefa que vise fiscalizar farmácias que insistem em vender medicamentos sem receita médica, aplicando para esses multas e caso haja reincidência, seja determinado o fechamento desse estabelecimento. Já dizia o filósofo Arthur Schopenhauer, o maior erro que um homem pode cometer é sacrificar sua saúde a qualquer outra vantagem.