O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 10/04/2020

Durante as reformas urbanas de Oswaldo Cruz,  no Rio de Janeiro do século XX, ocorreu a Revolta da Vacina, marcada pela lacuna estatal na conscientização populacional antes da imposição da vacina anti-varíola. De maneira análoga, no Brasil contemporâneo, ainda falta esse projeto de compreensão social e isso permite que noções ilusórias e manifestações contra fatos científicos tragam o reparecimento de doenças erradicadas. Desse modo, medidas de combate aos entraves supracitados são necessárias.

De início, cabe elucidar que a vigência de uma falsa sensação de que as doenças erradicadas não voltam é um fator contribuinte para tal conjuntura problemática. Sob esse ângulo, o fato dessas enfermidades não serem amplamente discutidas gera um sentimento errôneo de que elas não existem mais ou que elas são menos perigosas. Em função disso, verifica-se um descaso populacional e o decréscimo, em 25 estados, de acordo com o site G1, no atingimento das metas de vacinação, tanto em crianças quanto em adultos. Em síntese, a noção ilusória de proteção suscita o descaso e contribui para o reaparecimento de moléstias.

Além disso, vale ressaltar a contribuição do Movimento Anti-Vacina para o problema em questão. Nesse sentido, apesar de ter surgido na Europa dos anos 90, é nítido que o pensamento de que as vacinas não são seguras ganhou força no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde, essas informações errôneas se espalham, principalmente, nas redes sociais - como é o caso brasileiro - e são uma ameaça à saúde mundial. Dessa forma, por medo dos “efeitos nocivos”, preconizados por esse movimento, menos pessoas se vacinam e a vulnerabilidade aumenta, bem como o ressurgimento de mazelas extinguidas.

Portanto, observa-se que a ausência da consciencialização eficaz na sociedade diminui o alcance da imunização, ao passo que aumenta o reaparecimento de doenças. Por conseguinte, é imperioso que o Ministério da Educação, responsável pela educação formal, e a Mídia, responsável pelo ensino informal, atuem na difusão da importância da vacina, por meio da introdução de debates obrigatórios sobre o tema nas aulas de Biologia e da divulgação de dados científicos que comprovem esse tema em redes sociais, respectivamente, a fim de que a população perceba que a vacinação é uma obrigação social. Assim, não só a noção ilusória de proteção nos indivíduos será mitigada, mas também as falácias nas redes sociais, fomentando a diluição do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil.