O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 23/04/2020

O desenvolvimento das vacinas, as quais funcionam a partir da utilização de um microorganismo patogênico morto ou atenuada como forma de estimular uma resposta imune no organismo de longa duração, representou um marco no combate a diversas doenças. Entretanto, hodiernamente, o reaparecimento de patologias que já foram erradicadas no Brasil, aponta para um preocupante cenário de desinformação por parte de alguns, que são contrários à vacinação, e de prejuízo da saúde da população como um todo. Nesse sentido, fatores de ordem educacional e social caracterizam a problemática.

É importante pontuar, de início, o protagonismo da educação e da informação como peças centrais no esclarecimento de ignorâncias e fomentadoras de mudanças de posturas inadequadas quanto à saúde. Consoante defendem os iluministas, a razão liberta o indivíduo das amarras da ignorância, esse saber acerca das doenças, inevitavelmente, também interfere no seu combate. Dessa forma, uma população mais engajada e consciente torna-se mais apta para adotar medidas profiláticas essenciais, como a vacinação, e, assim, permitir evitar a reincidência de patologias. Com isso, é possível perceber o quanto o tema está relacionado à falta de informação.

Outrossim, vale ressaltar o reflexo negativo das atitudes individuais de descaso ou de mentalidades antivacina para a população como um todo. Isso significa que, ao deixarem de vacinar ou adotar medidas de prevenção a determinadas doenças, esses indivíduos, além de se colocarem em risco, ainda aumentam a vulnerabilidade do resto da sociedade, bem como causam uma sobrecarga no sistema de saúde facilmente evitada. Prova disso é o pensamento do sociólogo Weber, o qual defende que o bem-estar geral depende do bom funcionamento de todos os setores da sociedade. Logo, faz-se mister a reversão do quadro vigente de retrocesso como meio de promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

É notória, portanto, a relevância de fatores de cunho educacional e social na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao Governo, em parceria com as escolas, o papel de promover maior discussão a respeito de medidas profiláticas adequadas e de explicações de profissionais acerca da importância da vacinação. Tal medida pode ser efetivada por meio de debates em sala de aula, palestras com profissionais da saúde e trabalhos com pesquisa. Poder-se-á, assim, combater o problema e promover o bem-estar geral defendido por Weber.