O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 08/05/2020

O avanço tecnológico possibilitou uma nova forma de visualizar o mundo, já que promoveu significativas mudanças na sociedade contemporânea. Dentre delas, pode-se destacar as descobertas na área da saúde, importantes para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos. O Brasil é um dos países mais avançados no serviço de vacinação, chegando, inclusive, a receber da Organização Pan-Americana de Saúde, em 2016, o certificado de eliminação da circulação de sarampo. Apesar do fato, a realidade no país encontra divergências, uma vez que apresenta o reaparecimento de doenças já erradicadas devido à falta de conhecimento sobre as enfermidades e à falta de saneamento básico

Em primeira análise, a presidente da Sociedade Brasileira de Imunização, Isabella Ballalai, explicou que uma série de fatores compromete o sucesso de imunização no país, incluindo a falta de conhecimento sobre doenças consideradas erradicadas. Dessa forma, observa-se que grande parte da população deixa de tomar vacinas, ficando, assim, vulnerável às patologias, embora o Ministério da Saúde afirme que baixas coberturas vacinais acendem a “luz vermelha” no país. Ou seja, apesar da evidente falta de acesso aos conteúdos que conscientizem e eduquem a população acerca das enfermidades já erradicadas, o governo não fornece ações que mudem a situação vivenciada pela sociedade, aumentando o número de pessoas que abdicam da vacina e, consequentemente, o risco do retorno das doenças já eliminadas.

Além disso, no Brasil, o saneamento básico é um um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988, ou seja, é dever do Estado promover o serviço citado para todos os indivíduos. Entretanto, segundo Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, o país apresenta 48% da população sem coleta de esgoto, fato este que implica no aumento de doenças já ou não erradicas na sociedade. Conquanto o governo tenha ciência da circunstância apresentada, medidas não são desenvolvidas, e além de violentar o instrumento de hierarquia máxima do Estado, mantém a precariedade sofrida pelos brasileiros, tornando contínuo o risco do reaparecimento das doenças erradicadas no país.

Com isso, conclui-se que é imprescindível a intervenção acerca dos problemas de saneamento básico e da falta de informação sobre as enfermidades. Para isso, cabe ao Ministério das Cidades disponibilizar tratamento de esgoto adequado para a população, por meio de planejamentos e ações, para que todos tenham contato digno do recurso, democratizando o acesso à higiene. Ademais, os veículos midiáticos juntamente com o Ministério da Educação devem informar a população sobre doenças já erradicadas, por intermédio de propagandas e palestras escolares, conscientizando, então, os brasileiros e brasileiras, para não se exporem ao risco de contágio das patologias já erradicadas.