O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/06/2020
Por volta de 1998, o médico Andrew Wakefield publicou um estudo apontando que a vacina tríplice viral era causadora de autismo em crianças. Apesar da descoberta do caráter falacioso da publicação, a partir disso, surgiram movimentos intensos de anti-vacina. A desinformação e o descuido, unidos, têm sido a premissa para o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. Assim, após anos de combate contra doenças, uma das ferramentas mais eficazes é vista como o motivo da problemática; tal visão acarreta em consequências desfavoráveis para todos.
Em primeiro lugar, é necessário notar a eficiência das vacinas, que desmentem as notícias falsas e/ou mitos que têm sido propagados nos últimos anos. Segundo o oncologista e escritor Drauzio Varella, em entrevista ao G1, na década de 1950, dez por cento das crianças morriam até os cinco anos de idade por doenças infecciosas ou até mesmo diarreia. Em quase cem anos, a expectativa de vida dobrou à medida que as vacinas foram aplicadas. Posto isso, o argumento de que a imunização sobrecarrega o sistema imunológico de crianças não se faz coerente, sendo refutado por dados de médicos, pesquisadores e também da Organização Mundial da Saúde, que afirma que mais de dois milhões de vidas são salvas anualmente pela vacinação.
Por conseguinte, o descuido é uma consequência da desinformação. A familiarização com a segurança (que, inclusive, foi alcançada pela imunização) juntamente às notícias falsas dão margem para a imprecaução. Como qualquer outro remédio, a vacina tem contraindicações que devem ser analisadas pelo profissional da saúde, sendo exceção e não a regra. De acordo com a BBC e diversos outros jornais, o Brasil, mesmo após a erradicação em 2016, teve um surto de sarampo, bem como casos de poliomielite. Segundo o bacteriologista Paulo Lee Ho, a sociedade precisa se lembrar de que doenças como sarampo e poliomielite matam, e quando não, deixam sequelas como paralisia, surdez, problemas neurológicos etc. Posto isso, constata-se o perigo da não vacinação e sua participação nas doenças re-emergentes na sociedade brasileira.
Destarte, para conscientizar e manter a imunização da população, o Ministério da Saúde deve desenvolver um projeto que aborde a temática vacina, mostrando fatos históricos sobre as problemáticas envolvidas até os dias que correm, de modo acessível e simples. Isso deve ser feito por meio da televisão e das redes sociais mais usadas. Após essa campanha, devem ser organizados os calendários para as vacinas necessárias. Assim sendo, de modo didático e atualizado, a compreensão irá se propagar, fazendo com que a desinformação e o descuido decresçam.