O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/06/2020
A Revolta da Vacina, em 1904, foi um motim popular contra a vacinação obrigatória e autoritária, que criou um pensamento de que essa serviria para dizimar a população. Nesse contexto, pode-se constatar que a luta para a contenção de enfermidades não é recente. Contudo, pouco mais de um século depois, o descaso com a medicina preventiva e a emergência dos movimentos antivacina têm proporcionado a reincidência de doenças.
Em primeira análise, a pneumologista Margareth Dalcolmo afirma que “a desigualdade brasileira não dá a todos a mesma chance de prevenir a doença”. Nesse sentido, é possível inferir que a falta de democratização ao acesso às medidas preventivas, tais quais: o saneamento básico, a água tratada e a rede de esgoto, coloca populações periféricas em situações de vulnerabilidade. Logo, como consequência da negligência com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) de universalidade, integralidade e equidade, essas localidades ficam propensas a reincidência de enfermidades.
Ademais, vale salientar que a emergência do movimento antivacina, sobretudo nas redes sociais, é outro fator responsável pelo reaparecimento de doenças erradicadas em território nacional. Assim, de acordo com Zygmunt Bauman, as referências de líderes não existem mais e as pessoas buscam a figura do conselheiro, que não necessariamente precisa ser uma autoridade na área, mas age como exemplo a ser seguido. Então, em um cenário de pós-verdade e sofismas, os indivíduos passam a desacreditar na ciência e a não se vacinarem. Fatores esses de grande preocupação, na medida que reduzem a cobertura vacinal, possibilitam os vetores encontrarem indivíduos não imunizados e proporcionam a reemergência de doenças.
Portanto, com a finalidade de mitigar os efeitos dos movimentos antivacina, cabe ao Ministério da Saúde, já que é a pasta responsável por garantir o cumprimento dos princípios e diretrizes do SUS, fomentar o investimento de campanhas que informem e alertem sobre os danos da baixa cobertura vacinal, por intermédio das mídias digitais. Ademais, o Ministério Público deve investir em uma melhoria do saneamento básico nas regiões periféricas.