O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 06/06/2020

“O homem é a medida de todas as coisas.” Essa máxima atribuída ao filósofo grego Protágoras revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente ao retorno das moléstias já suprimidas do cenário brasileiro, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves envolvidos nesse processo vitimizas todo o corpo social. Dessa forma, os desafios em torno do reaparecimento de doenças erradicas, no Brasil, como o sarampo e os diferentes tipos de meningites, são inúmeros e evidentes.

Em primeira análise, convém frisar a exímia importância que os avanços da medicina proporcionam para a sociedade hodierna, como na produção de vacinas contra as enfermidades que ameaçam a saúde, em todas as idades. Nesse sentido,infelizmente, a falta de informação acerca dessas medidas profiláticas tem demonstrado efeito na queda da cobertura vacinal, apresentado pelo,Ministério da saúde, que de janeiro de 2018 a fevereiro de 2019, foram registrados mais de 10.274 casos de doenças consideradas controladas, demonstrando a falta da vacinação no cotidiano do indivíduo. Sob essa ótica, segundo o sociólogo francês,Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e,posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos, de modo a verificar essa célebre máxima na manipulação dos grupos antivacinas, na conduta de diversas famílias, os influenciando a  acreditar na ineficiência da imunização ativa, podendo reverter o progresso alcançado com o uso delas.

Ademais, consoante a manchete de uma matéria do site IG saúde,em 2018, destaca que um dos maiores entraves para a saúde pública nacional e mundial são os retornos das moléstias antes erradicadas. Nesse contexto, o compartilhamento massivo de notícias falsas tem ocasionado dúvidas e desconfianças à população quanto aos benefícios das vacinas, como ocorreu, em Pernambuco, que de acordo com o portal da UFMG,rumores de que a vacinação contra o Zika Vírus estava causando microcefalia nos bebês, de forma a causar um medo descomunal da imunização, tanto nas grávidas, como na sociedade em geral.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas atenuantes. Assim, cabe ao Ministério da Saúde,em parcerias com os setores midiáticos e  médicos renomados, o papel de difundir campanhas de conscientização e esclarecimento acerca da relevância da vacinação, de modo a mobilizar a sociedade quanto aos benefícios da imunização à longo prazo, com intuito de refutar argumentos antivacinas, além de explicar a importância de tal ato, para que haja uma ampla mobilização, a fim de combater as enfermidades que tornaram a acometer parte da população brasileira.