O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/08/2020
Consoante a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 196, a saúde é direito de todos e dever do Estado, e deve ser garantida mediante políticas sociais e econômicas. No entanto, tem se observado em solo nacional o reaparecimento de doenças antes tidas como erradicadas devido à desconfiança da população nos serviços de saúde e à falta de investimento na prevenção dessas doenças. Primeiramente, a confiança representa um elemento essencial para que a sociedade acredite nos serviços de saúde e siga as recomendações dos profissionais, sobretudo, a respeito da vacinação, tratamento e formas de prevenção. Contudo, a saúde pública é prejudicada pela disseminação das denominadas “fake news” nas mídias sociais, bem como por uma crescente descrença em todas as instituições públicas. Prova disso é o movimento anti-vacinação, que tem sido apontado como um fator significativo no aumento de mortes por doenças que eram consideradas erradicadas, já que, segundo dados do Ministério da Saúde, em 2019 o país não atingiu a meta de vacinação de 95% do público-alvo em nenhuma das vacinas do calendário.
Ademais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há um maior gasto em resposta e surtos de doenças do que investimento na preparação de seu enfrentamento e prevenção. No Brasil, a negligência estatal em não destinar maiores recursos para a resolução dessa problemática, culmina na eclosão de patologias vinculadas, especialmente, à condições socioeconômicas e educativas. Nessa lógica, a carência de infraestrutura como saneamento básico e coleta adequada de lixo favorecem o desenvolvimento e a proliferação de vetores de enfermidades, cenário esse verificado no Brasil, visto que, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Trata Brasil, 48% dos brasileiros não possuem coleta de esgoto.
Pelo exposto, infere-se que o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil configuram um desafio para a saúde pública. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, investir em campanhas publicitárias nas grandes mídias e redes sociais, com a finalidade de informar a população acerca da importância da vacinação e de formas de prevenção, bem como destinar maiores verbas para a atenção primária à saúde, de modo a fortalecer a relação de confiança entre paciente e profissional de saúde. Além disso, é primordial, a ampliação do sistema de saneamento básico em todo o território, visando evitar a proliferação de enfermidades. Com essas medidas, espera-se obter uma maior integração entre o corpo social e os serviços de saúde para se combater de maneira efetiva as doenças.