O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 02/08/2020

Durante a Idade Média, a Peste Bubônica dizimou grande parte da população. Essa doença foi classificada pela Organização Mundial da Saúde como reemergente em 2018. Diante desse cenário de reaparecimento de afecções anteriormente combatidas, o Brasil se mostra indiferente ao alerta da OMS, já que também apresenta casos de doenças extintas, como o sarampo. Desse modo, vive-se um grave problema nacional: o reaparecimento de doenças erradicadas. Esse impasse decorre não só da desigualdade social, mas também da indiferença da comunidade com o sistema de imunização.

A princípio, a preocupante situação de desigualdade social no Brasil favorece o ressurgimento de enfermidades. Nesse viés, a Constituição Federal, em seu artigo 196, garante que a saúde é um dever do Estado, que deve ser garantido a todos por meio de políticas que minimizem o risco de doenças. Todavia, ao se destacar no ranking de disparidade social, o país acaba por evidenciar seu desrespeito a tal artigo, uma vez que locais favelizados e periféricos - sem condições básicas, como saneamento - favorecem a persistência da dengue, por exemplo, já que o lixo acumulado armazena água parada e viabiliza a reprodução do vetor da doença. Diante disso, é incoerente que a omissão de um país inerte submeta a sociedade a tais situações degradantes e, dessa forma, perpetue o adoecimento.

Além disso, considerável parcela dos brasileiros é indiferente à imunização. Nesse contexto, o Ministério da Saúde aponta que a taxa de vacinação da tríplice viral - que protege contra sarampo, caxumba e rubéola- está em queda. Sob essa ótica, a situação denunciada pelo órgão nacional mostra que a população acaba por configurar-se como irresponsável e negligente acerca da própria saúde nacional. Desse modo, as reemergências persistem no cenário nacional, uma vez que a vacinação - que fornece anticorpos ativos - é a forma primordial e indispensável de erradicar as infecções. Então, apesar do Programa Nacional de Imunizações (PNI) fornecer a proteção devida, a imprudência dessa parcela em receber anticorpos contribui para o excesso de casos de males antigos. Isto posto, não é razoável que uma sociedade displicente seja obstáculo para a erradicação de doenças.

Portanto, diante do retorno de afecções no Brasil, é preciso mitigar essa realidade. Para isso, o Ministério da Saúde deve desenvolver ações de cuidado com a saúde, mensalmente, por meio de intervenções nas áreas mais necessitadas - como favelas sem saneamento básico - que incluam a instalação de sistema de coleta de lixo e esgoto (com auxílio dos governos municipais), com o intuito de amenizar a desigualdade e, por conseguinte, as doenças antigas. Ademais, as ações precisam envolver a imunização domiciliar acompanhada de orientação médica acerca da importância da vacina, a fim de aumentar a taxa vacinal. Logo, um país justo e responsável, poderá, de fato, ser imunizado.