O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 01/08/2020
Em 1904 ocorreu no Rio de Janeiro a Revolta da Vacina, por falta de informações grande parte da população não compreendeu a necessidade e a obrigatoriedade de tomarem a vacina anti-varíola, causando rebeliões nas ruas da capital. Apesar da revolta, entre 1904 e 2020 houve mudanças consideráveis na saúde pública do Brasil, levando até a erradicação de algumas doenças. Entretanto, o crescente número de pessoas negando-se a vacinar e a precariedade do Sistema Único de Saúde (SUS) em algumas regiões corroboram para o reaparecimento de doenças já erradicadas no país.
A priori, os avanços tecnológicos e científicos na medicina conseguiram aumentar a expectativa e qualidade de vida das pessoas, principalmente com vacinas e remédios contra doenças que seriam letais para os seres humanos. Todavia, com o crescimento de movimentos antivacina por conta de notícias falsas e por falta de conhecimento, a sociedade acaba prejudicada, pois elas estão suscetíveis a contraírem doenças que poderiam ser evitadas, trazendo riscos para a população. Logo, de acordo com o filósofo Francis Bacon “saber é poder”, portanto se elas soubessem a importância da imunização por vacinas não deixariam de realizá-las e diminuiria esse grave problema.
Outrossim, conforme a Constituição Federal de 1988, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido por meio de políticas sociais e econômicas. Contudo, a realidade do país é bem diferente, regiões mais carentes e afastadas dos polos urbanos possuem a dificuldade de acesso aos postos de saúde, médicos, medicamentos e também de vacinas, afetando a saúde pública e acentuando a desigualdade social. Destarte, a precariedade do SUS contribui para o retorno de doenças que não estavam mais presentes entre a população, como o sarampo, poliomielite, rubéola e entre outras.
Portanto, é mister haver medidas para conter ao máximo possível o reaparecimento destas doenças. Dessarte, é papel do Ministério da Saúde (MS) promover campanhas de vacinação em todo território nacional explicando detalhadamente a necessidade da imunização e desmitificando as notícias falsas entre os movimentos antivacina e levando o conhecimento correto para as pessoas, e juntamente com o Ministério da Educação, gerar palestras em escolas e universidades com profissionais da saúde com o mesmo intuito. Além disso, o MS deve por meios de repasse de verbas do Governo Federal, promover uma maior interligação entre municípios mais afastados e o SUS, com mais postos de saúde, medicamentos e vacinas, atendendo essa parcela populacional que não possui seu direito constitucional garantido. Sendo assim, haverá uma diminuição dos casos de doenças antes erradicadas, melhorando a saúde pública e evitando que ocorra o mesmo em 1904, pessoas em rebeliões contra vacinas por falta de conhecimento dado previamente.