O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 14/08/2020
Ocorrida em 1904, a Revolta da Vacina foi marcada pelo movimento contra a imunização compulsória da varíola, que se alastrava pelas ruas do Rio de Janeiro e que encontrava, nas péssimas condições sanitárias, um local propício a sua propagação. Mais de um século depois, o olhar sobre as vacinas mudou devido à conscientização, fazendo com que várias doenças fossem controladas e até mesmo erradicadas. Contudo, indo na contramão do que esperava-se, nos últimos anos epidemias de doenças que estavam sob controle tem ressurgido. Esse cenário antagônico deriva tanto da falta de informação quanto da limitação do próprio Sistema Único de Saúde (SUS). Tendo em mente a importância da prevenção de novas epidemias, faz-se necessária a discussão sobre os principais desafios quanto ao reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o acesso à informação é essencial no que diz respeito à prevenção de doenças, seja por meio de vacinas ou evitando os meios contágio como o uso de preservativos contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) ou ainda pelo controle do vetor no caso da dengue. No que tange as vacinas, existe uma crescente rede de fake news que fomenta informações errôneas quanto a seguridade e a sua importância, o que leva a cobertura vacinal da poliomelite, por exemplo, estar abaixo de 50% em 312 municípios, segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).
Em segunda análise, existe uma limitação do próprio Sistema Público de Saúde que operam, em sua maioria, de segunda à sexta em horário comercial, dificultando que os pais possam levar seus filhos para vacinar em detrimento de seus próprios compromissos de trabalho. Além disso, a eficiente vacinação nas gerações anteriores fez com que várias doenças não circulassem mais, não expondo a gravidade de quando elas eram epidêmicas e causando esse afrouxamento relativo à necessidade de continuar vacinando-se.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para controlar o avanço de epidemias no Brasil. Dessarte, com o intuito de mitigar a baixa cobertura vacinal, faz-se mister que o Governo Federal por meio do Tribunal de Contas da União, direcione capital para o Ministério da Saúde, que deverá reverter a verba na ampliação do horário de atendimento à população nos postos de saúde, além de fomentar as campanhas de conscientização sobre a importância da imunização, bem como o combate a rede de fake news por meio de campanhas veiculadas nos principais meios de comunicação como televisão e redes sociais. Dessa forma, espera-se aumentar a cobertura vacinal e o controle sob doenças, para que epidemias como a da varíola nunca mais voltem a assolar o país.