O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 05/08/2020
No livro Sagarana, de Guimarães Rosa, o conto Sarapalha mostra um lugar dizimado pela epidemia de malária, com os únicos dois habitantes lutando contra essa moléstia. Fora da ficção, tal contexto assemelha-se ao atual, na medida em que, doenças que podem ser evitadas, por prevenção ou vacinação, ainda afligem e matam tantas pessoas. Logo, é necessário analisar o fenômeno para não sobrecarregar o sistema de saúde pública.
Em primeiro lugar, vale apontar a negligência das arboviroses, doenças, as quais, são transmitidas por mosquitos, responsável pelos surtos de dengue, chikungunya e zika. A esse respeito, a falta de saneamento básico e o descarte de lixo indevido propicia criadores para os vetores, já o controle desses fatos interrompem o ciclo. Assim, o relaxamento de medidas profiláticas custa inúmeras vidas, cabendo ao Ministério das Cidades propiciar salubridade a todos os seus cidadãos e a fiscalizar o descarte correto de lixo.
Ademais, tem-se o retorno de doenças por descaso vacinal, decorrência do próprio sucesso destas. As vacinas erradicaram várias enfermidades, abstraindo o medo das moléstias, por consequência, houve um desleixo com a cobertura vacinal. Diante disso, o Ministério da Saúde acendeu uma “luz vermelha” para o sarampo, a poliomielite, a difteria, a rubéola e febre amarela, doenças antes extinguidas, voltam a impactar o sistema de saúde, visto que, a evasão escolar impede de por em pratica a cobrança da imunização obrigatória, assim como, o conhecimento de sua importância.
Destarte, é evidente a necessidade de priorizar a prevenção e valorizar a imunização. Cabe ao Ministério das Cidades estipular uma verba conforme as necessidades de saneamento básico de cada município e fiscaliza-los, aplicando multa caso necessário. Juntamente, para se cumprir a obrigatoriedade vacinal, o Ministério da Educação deve implementar medidas para combater a evasão escolar e palestras para mostrar a importância da imunização, evitando-se assim tantas mortes como em Sarapalha.