O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 02/08/2020

Segundo os primórdios da aplicação do Método Científico, no século XVII, profissionais da saúde após manipular cadáveres partiam para o atendimento dos partos sem preocupações com a higienização. Após a hipótese de que as mãos seriam o veículo para micro-organismos, a simples mudança de hábito em lavar as mãos foi o fator principal em diminuir a taxa de óbitos por febre puerperal na época, e o início do controle de algumas patologias. Todavia, o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, hoje, enfrenta um crescimento exponencial. Desse modo, convém analisar possíveis causas, consequências e medidas diante deste cenário.

A priori, os hábitos e ideologias da sociedade são intrínsecos ao retorno de doenças. Ainda que, a exemplo da Dengue no Brasil, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde do Paraná, em cinco meses do ano de 2011 foram registrados mais de vinte e três mil novos casos da doença, por conta destes surtos ocorrerem todos os anos no país, a normalização dessa morbidade por parcela expressiva da população é algo que toma força, o que gera uma falsa atmosfera de controle, além da negligência as formas de prevenção. Logo, o modelo de desenvolvimento social do país diante de fatores como o saneamento básico escasso em regiões carentes, e a falta de educação ambiental, contribuem para o contexto.

Como se não bastasse, vale ressaltar doenças cuja reemergência ameaça as futuras gerações, como o Sarampo e a Sífilis Congênita. Nesse sentido, doenças que haviam sido erradicadas no Brasil têm reaparecido por conta  não somente da normalização dos casos, mas também do entendimento da população que, ou acredita fielmente em teorias da conspiração, ou perdeu o medo e confia cegamente na ciência para o controle, quando na verdade, a superação de tais enfermidades é fruto principalmente

da consciência coletiva. Assim, a exemplo do surgimento e da resistência dos movimentos antivacinação, bem como o não uso de preservativo, corroboram a falta de orientação e conhecimento da população, e, a necessidade de desenvolver a educação em saúde, uma vez que, sem dúvidas, muitos destes casos poderiam ser evitados.

Portanto, a fim de atenuar o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, a população deve eleger representantes para as comunidades e bairros em que residem, uma vez que, este líderes serão convocados pelo Estado com o dever Constitucional de organizarem grupos com os indivíduos destes locais, junto a um sistema de turnos e revezamento, para a limpeza, fiscalização, e difusão do conhecimento para com os demais, em prol do engajamento como exemplo ao mundo.