O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 02/08/2020

O escritor de ficção científica Hebert Wells, em sua obra “A Máquina do Tempo”, afirma que “o vigor é um produto da necessidade; a segurança é um convite ao enfraquecimento”. Apesar de a frase estar em um contexto de uma sociedade futurística, ela é aplicável ao retorno de doenças erradicadas no Brasil, uma vez que os métodos de tratamento eliminaram grande parte do medo contra elas, algo preocupante para o autor. Nesse sentido, a omissão do sistema educacional em fortalecer a importância das medidas terapêuticas e a passividade do ente público na manutenção da prevenção são as principais causas desse indesejável regresso na saúde pública.

Em primeiro momento, a educação distante da realidade desses males constitui um grande perigo nesse enfrentamento. Isso porque sem uma lembrança constante do perigo que essas enfermidades significavam antes da existência de tratamentos, estamos fadados ao esquecimento de agir diariamente contra elas. Por analogia, o brilhante cientista Charles Darwin afirmava que “a sobrevivência é dos mais aptos” e o conhecimento adequado dessas patologias é fundamental para manter a aptidão e persistência contra elas. Dessa forma, é imperativo que essas mazelas sejam ensinadas como processo que dependem da colaboração hoje para não retornarem amanhã.

Além disso, a passividade do governo na vacinação é outra face desse problema. Uma vez que sem um programa contundente de prevenção, que cobre e fiscalize o cumprimento do calendário vacinal, a erradicação é apenas um sonho distante. Tal postura inercial fica evidente quando confrontada com dados, já que segundo o Ministério da Saúde, 312 municípios brasileiros estão com 50% da população infantil imunizada contra a poliomielite, o que é considerado um número pequeno. Em suma, é inaceitável que a prevenção realizada pela saúde pública seja acometida dessa imobilidade, que prejudica não só a vida dos brasileiros, como também o trabalho dos profissionais da saúde.

Portanto, ações são necessárias para impedir o retorno de doenças erradicadas no Brasil. Nessa lógica, o Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias municipais e estaduais de saúde, deve aproximar os postos de saúde do âmbito familiar e escolar, realizando visitas técnicas para esclarecer a importância da vacina e de seguir o tratamento prescrito. Tal medida permite mapear, por meio de entrevistas com a comunidade, os lares com baixa adesão ao calendário vacinal e intervenções medicamentosas, possibilitando assim suprir as deficiências terapêuticas com a finalidade de manter controlado os surtos de patologias. Por meio desse fortalecimento da saúde pública, o brasileiro do presente e do futuro poderá gozar de uma sociedade mais segura e vigorosa no enfrentamento dessas mazelas.