O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 02/08/2020

A Constituição Federal de 1988 garante, dentre outros direitos básicos, o acesso à saúde de qualidade para todos os brasileiros. Entretanto, na realidade, observa-se que tal proposta não é efetivada, principalmente, em relação ao controle de doenças erradicadas no país, as quais reemergem, devido à negligência do Estado e à omissão da mídia. Dessa maneira, o bem-estar de todos os cidadãos é posto em risco.

Em primeiro plano, é válido destacar como a inércia governamental em relação à prevenção do problema contribui para a sua irresolução. Segundo dados de 2019, publicados pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -, cerca de 35% da população não possui acesso regular aos meios de saneamento básico. Ou seja, é perceptível a ineficiência do Estado em assegurar a distribuição dos recursos de higiene, como água potável e esgoto, especialmente para os brasileiros que vivem em áreas menos urbanizadas. Dessa forma, essa parcela da população fica sujeita a adquirir e retransmitir doenças facilmente evitáveis, por exemplo, com a limpeza de ambientes domésticos e banhos regulares, como ocorre com a dengue e o sarampo.

Além disso, há o embargo do silenciamento da mídia quanto à exposição da problemática. Conforme o conceito de “Ação comunicativa”, do sociólogo Jürgen Habermas, é por meio da troca de informações entre os indivíduos e do contato com diferentes pontos de vista, que ocorre o progresso dentro da sociedade. Nesse sentido, os meios de comunicação não têm cumprido seus papéis de ferramentas democráticas, ao não promoverem o debate acerca do controle de epidemias no país, com o intuito de elucidar os cidadãos sobre as formas de prevenção. Assim, o desconhecimento desses conceitos e medidas profiláticas aumenta o risco de ocorrência de eventuais surtos, os quais podem levar a uma sobrecarga do sistema de saúde pública.

Portanto, tendo em vista os fatos expostos, fica clara a necessidade de realizar ações em prol da resolução do problema. Sobretudo, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, promover o debate e a atuação da população, quanto ao controle de doenças. Isso pode ser feito por meio da criação de de campanhas informativas, veiculadas nas redes sociais governamentais -  devido ao maior alcance do público -, com vídeos apresentados por profissionais da saúde. Tais vídeos devem informar sobre os meios de prevenção e de tratamento contra as epidemias mais recorrentes no país. Por fim, será possível conscientizar os cidadãos de seu papel na proteção do bem–estar coletivo, bem como garantir seus direitos básicos legitimados.