O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 10/08/2020

Durante a Revolta da Vacina, Oswaldo Cruz, brasileiro e um dos maiores sanitaristas do mundo no último século, contribuiu imensamente no combate a patologias como Febre Amarela, Peste Bubônica e Varíola. No entanto, é notório que tal prerrogativa, no cenário hodierno, não tem recebido grande atenção, uma vez que o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil tem se tornado uma realidade presente na sociedade. Diante disso, é válido destacar que entre os fatores que condicionam tal problemática, encontram-se a falta de políticas públicas e investimentos nessa área, por parte do Estado, bem como a disseminação de notícias falsas acerca da eficiência das vacinas e seus impactos na saúde da população.

Em primeiro plano, é importante salientar que, segundo o filósofo Tomas Hobbes, em sua obra “O Leviatã”, o Estado é a instituição responsável por garantir a fluidez e a harmonia entre a coletividade. Todavia, observa-se que tal assertiva não é colocada em prática, haja vista que, a falta de investimentos em políticas públicas capazes de mitigar o ressurgimento de doenças, antes erradicadas, faz-se presente no âmbito atual, o que vai contra um dos preceitos estipulados pela Carta Magna, afinal, a Constituição Federal, em seu artigo 196, assegura que a saúde é direito de todos, garantido mediante ações sociais e econômicas que visem à redução do risco de patologias.

Ainda nesse viés, é válido mencionar também que a Revolução Técnico-Científico-Informacional, ocorrida na segunda metade do século XX, possibilitou que o compartilhamento de informações entre diversos indivíduos se tornasse cada vez mais comum. Entretanto, conforme exposto pelo jornal “Folha de São Paulo”, o uso indevido dos veículos midiáticos colaborou na disseminação de notícias falsas, as quais defendem que as vacinas contribuem para o surgimento de distúrbios mentais e de saúde, como, por exemplo, o autismo, o que desestimula estruturas parentais a não utilizarem esse recurso profilático em sua prole e gera, assim, a redução da cobertura vacinal na contemporaneidade.

Em suma, diante dos conflitos abordados, cabe ao Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, investir na criação de projetos e campanhas que divulguem a importância da vacinação como forma de prevenção a tais doenças, bem como alertar sobre o compartilhamento de notícias falsas a respeito dessa temática, mediante a divulgação nos diversos meios midiáticos, como TV e redes sociais. Essa medida poderia ser realizada por meio da alocação de recursos do Ministério da Economia, com o intuito de diminuir os elevados índices acerca do ressurgimento dessas patologias. Com isso, pode-se almejar um país que legitime os preceitos estipulados pela Constituição Federal e que seja semelhante daquele no qual Oswaldo Cruz conseguiu salvar um grande número de vidas.