O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 04/08/2020
Em 2019, durante uma transmissão ao vivo no Facebook, o famoso tenista sérvio Novak Djokovic afirmou sua repulsa acerca de campanhas obrigatórias de vacinação, o que ascendeu, evidentemente, debates entre cientistas de todo o mundo em relação aos grupos então chamados de “antivacinas”, abordando as graves consequências as quais eles são submetidos e submetem aos outros ao negarem o papel da ciência na prevenção de doenças e, como efeito, responsáveis pela não imunização de muitas crianças e por corroborarem com o reaparecimento de muitas doenças até então erradicadas.
Em primeiro lugar, vale uma análise científica acerca desse impasse. Segundo o físico estadunidense Carl Sagan, “Vivemos numa sociedade intensamente dependente da ciência e tecnologia, em que quase ninguém sabe sobre ciência ou tecnologia.” Sob esse viés, é inegável a importância da ciência biotecnológica no desenvolvimento de vacinas. No brasil, podemos destacar seu papel fundamental no combate a doenças epidemiológicas, como a dengue, tendo em vista que, por mais que estejam contidas por meio da imunização, ainda acometem na morte de muitos recém-nascidos, crianças, adultos e idosos não imunizados.
Desse modo, segundo a OMS, 20% das crianças brasileiras não são vacinadas. Esse número, portanto, reflete na realidade em que se encontram muitos menores de idade em condições de ruas ou então precárias e, também, pela escolha de muitos pais em não imunizarem seus filhos pela visão retorcida que têm sobre a vacina. Assim, corroboram para a vulnerabilidade dos seus filhos e, portanto, na eventual morte de muitos deles, como também propagação dessas doenças, acarretando, em muitos casos, no reaparecimento de doenças já erradicas, como o sarampo.
Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências acerca desse impasse. O Ministério da Saúde e o Poder Legislativo, por meio de leis e diretrizes, devem tornar as leis sobre a obrigatoriedade de vacinação em recém-nascidos e crianças mais rigorosas, assim como a possível intervenção do Instituto da Criança e do Adolescente em casos em que os pais se recusam a imunizar seus filhos e tornam-os suscetíveis a doença. Assim, em prol da vida das próximas gerações e do desenvolvimento biotecnológico, o Brasil não será palco do reaparecimento de doenças já erradicadas e estará apta a conter futuras epidemias.