O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 03/08/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a declaração universal dos direitos humanos assegura que todos indivíduos possuam acesso a saúde. Conquanto, é evidente o ferimento de tal direito constitucional, visto que o retorno de doenças erradicadas caracteriza-se como uma problemática situada no contexto social hodierno. Nessa perspectiva, torna-se claro o desafio existente, o qual deriva de um pensamento cético e de raízes desigualarias.

Em primeira análise, faz-se imprescindível compreender a negação da ciência como conjuntura originada desde os primórdios. No ano de 1903, a população carioca vivenciou o surgimento de rebeliões que, através da escassez informacional, desenvolveram um ceticismo em relação a eficácia das vacinas. Urge ressaltar, ainda, que tais revoltas se assemelham ao grupo antivacina atual, o qual através de argumentos escassos de embasamento científico dissemina a ideia de que a vacinação apresenta ameaça à saúde. Tendo em vista tais fatores, torna-se perceptível que tal grupo tornou-se um dos principais agentes influenciadores do revés.

Em consonância a isso, vale enfatizar o fato de que o impasse apresenta vínculos com a discrepância da infraestrutura evidente no território brasileiro. A precariedade do saneamento básico, a qual originou-se após a proclamação da lei Áurea e com o início da formação das favelas, persiste como uma realidade submetida aos indivíduos pertencentes a uma posição social menos favorecida. Acerca disso, é pertinente destacar que tal displicência ao funcionamento do saneamento básico facilita a proliferação de doenças e, consequentemente, traz o ressurgimento daquelas já erradicadas, prejudicando o sistema de saúde.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem o impedimento do retorno de doenças erradicadas. Em síntese, os institutos educacionais devem combater as ideias propagadas pelo grupo antivacina por meio de palestras ministradas por cientistas, a fim de contribuir com o fim do retrocesso científico. O governo federal deve, de forma análoga, dissolver as dificuldades relacionadas ao saneamento através de um maior investimento nessa área, de modo que esse fator não facilite o retorno das enfermidades. Com tais implementações, a negligência legislativa relacionada a garantia de saúde será revertida e a problemática será uma mazela na sociedade brasileira.