O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 04/08/2020
A Revolta da Vacina, em 1904, no Rio de Janeiro, foi marcada pelo descontentamento dos cidadãos que eram contrários à obrigatoriedade da vacinação. De maneira análoga, o modo de reação por parte da população diante do reaparecimento de doenças, bem como, a inoperância estatal em lugares com pouca infraestrutura são fatores contribuintes para o desequilíbrio na sociedade atual que se assemelham com o início do século XX.
Em primeira instância, é fundamental ressaltar a falta de senso crítico de grande parte da população que são enganadas por fake news e movimentos, como a antivacina. Segundo Aristóteles, em uma de suas célebres frases, diz que “o ignorante afirma, o sensato reflete e o sábio duvida”. Nesse viés, torna-se notória a importância de questionar a veracidade dos fatos divulgados, pois a falta de conhecimento faz com que as atitudes sejam pautadas na voz da maioria ou de grupo. Por conseguinte, problemas surgem, assim como a volta de doenças erradicadas, devido a falta de imunização de pessoas que acreditam em dogmas que relatam o aparecimento de efeitos colaterais caso haja vacinação. Logo, é necessário combater as notícias falsas e desenvolver a sabedoria.
Ademais, convém relacionar ainda a falta de políticas públicas que visam suprir os surtos endêmicos nos locas à margem. De acordo com o filósofo Rousseau, o governo deve garantir o bem-estar individual e coletivo. No entanto, na prática esse pressuposto muitas vezes não é seguido, tendo em vista o pouco repasse de capital destinado ao combate de doenças antes erradicadas como rubéola, varíola e poliomielite. Sendo essas viroses comuns em locais com falta de saneamento básico e de vacinas. Dessa maneira, o investimento torna-se essencial para o combate.
Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para não repetir o mesmo cenário da Revolta da Vacina. Em vista disso, o Ministério da Educação, órgão responsável pela qualidade do ensino, deve fornecer para alunos e pais, palestras e debates, com o objetivo de esclarecer sobre a importância de desenvolver o senso crítico e combater com as diversas fake news e movimentos que trazem prejuízos para o contexto social. Além do mais, o Governo, em consonância com as Secretarias Regionais, deve investir em política públicas voltadas à infraestrutura, por meio de emendas constitucionais, as quais permitam a destinação de capital para os diversos estados do país, inclusive os locais de pobreza e muita desigualdade, com o intuito de não possibilitar condições favoráveis à reprodução de organismos nocivos à saúde. Assim, o equilíbrio social pode ser realidade.