O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 04/08/2020
Segundo Hannah Arendt, “A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Não obstante, a questão do reaparecimento de enfermidades erradicadas no Brasil, demonstra o quão frágil é a Constituição, no que tange à garantia da saúde populacional. Com isso, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de investimentos nas cidades e da má influência midiática.
Em primeiro plano, pode-se apontar como um empecilho a consolidação de uma solução a ausência de infraestrutura. De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas, o investimento no Brasil, somando setores públicos e privados está no menor nível dos últimos 50 anos. Nesse pesaroso contexto, observa-se que se há um problema coletivo, como a precariedade das cidades, perpetua-se a extrema necessidade de investimentos massivos, e como isso tem sido precoce, floresce a possibilidade do surgimento de antigas doenças erradicadas. Nesse sentido, são veiculadas, por diferentes mídias, casos que apontam essa questão, a exemplo o escasso saneamento de cidades do interior da Bahia, o qual a população, majoritariamente, tem contato contínuo com esgotos a céu aberto, e isso auxilia na disseminação de doenças. Assim, o Ministério Público Federal, deve, urgentemente, ressignificar essa problemática.
Outrossim, a divergente participação midiática ainda é um grave impasse para a resolução da questão. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. No entanto, a mídia, em vez de aumentar o nível de informação da população, ela propaga a negligência no que concerne a não vacinação. Nessa perspectiva, são constantes os exemplos que concretiza isso, como publicações nas redes sociais sobre a vacinação, a qual os indivíduos realizam uma leitura superficial, o que acaba por remontar ideias errôneas. Desse modo, de maneira errada, muitas pessoas não se vacinam e alastram uma gama possibilidade de suscetíveis problemas de higidez e reaparecimento de doenças já controladas no Brasil.
Portanto, indubitavelmente, para evitar possíveis surgimentos de enfermidades erradicadas no Brasil, medidas precisam ser tomadas. Faz-se peremptório, pois, que o Ministério Público Federal, órgão que regula a justiça em âmbito nacional, por meio do Tribunal de Contas deve realizar o real direcionamento de verbas para questões de extrema necessidade, como o saneamento das cidades, a fim de que gerem a prevenção de doenças com esse item essencial para um município. Em suma, é preciso que haja logo, pois como dialogava Anne Frank, “Que maravilha é não esperar um único momento para melhorar o mundo”, dessarte os diretos que comentava Hannah Arendt, se torne mais constante.