O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 06/08/2020
O reaparecimento de doenças erradicadas é, além de um sério problema gerado pelo próprio homem, uma preocupação para todas as gerações, pois, conforme o tempo passa, mais a sociedade necessita de planejamento e de competência quanto à saúde pública. Nesse contexto, em especial no Brasil, essa problemática ganha contornos de desespero, tendo em mente que, nos últimos anos, segundo a OMS, o índice de crescimento de doenças infecciosas entre a população do país foi superior a 29% e o de efetiva profilaxia foi inferior a 6%. Diante dessa realidade assustadora, é preciso repensar o comportamento social e estatal deste início de terceiro milênio, no sentido de reeducar a sociedade e de redirecionar as prioridades governamentais, senão, o futuro estará seriamente comprometido.
Em princípio, quando se leva em conta, por exemplo, que o país sustenta, atualmente, de acordo com a revista Scielo, o status de quinto no ranking de enfrentamento de doenças erradicadas, torna-se perceptível a gravidade do caso. Isso porque, embora sejam realizadas anualmente campanhas de multivacinação, o sistema de saúde pública brasileiro está entre os piores do globo, com uma margem de mais de 38% de absentismo, conforme o Ministério da Saúde. A consequência disso é a degradação social, com a destruição de famílias, no que tange ao psicológico e, até mesmo, causando prejuízo econômico à nação, em decorrência do despreparo das autoridades competentes. Tudo isso, atrelado à ausência de políticas verdadeiramente pactuadas com o bem-estar social.
Nesse aspecto, a efetividade no combate às doenças infecciosas entre a população é impossibilitada em razão da escassez de informações, ocasionando baixa procura pelo serviço, e de educação básica de saúde nas escolas. Nessa lógica, os indivíduos vivem em um meio desprotegido e periculoso, e o pior é o paradoxal cenário, no qual são submetidos ao descaso sociopolítico, como rebanhos de animais, fato ratificado nas palavras de filosofo indiano Jiddu Krishnmurti, segundo o qual “não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”, pois é explícita a pacificidade social em relação à vulnerabilidade vivenciada no dia a dia dos brasileiros usuários do SUS.
Diante desse cenário contempto sociopolítico, urge a tomada de medidas incisivas, para reverter esse quadro de iminente arraigamento. Para tal, as autoridades governamentais, como, por exemplo, o Ministério da Saúde, precisam implementar políticas eficazes de regulamentação, de fiscalização e de execução das normas atinentes à profilaxia preventiva de doenças infecciosas, com o desenvolvimento de programas de incentivo às multivacinações e à educação de saúde coletiva nas escolas. Além disso, cabe à mídia trabalhar o comportamento do cidadão em relação à prevenção de doenças, evitando-se os autos índices de contágio. Dessa forma, o país continuará a erradicar as doenças infecciosas.