O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 04/08/2020
A produção cinematográfica “12 Macacos” retrata a história de Colle, um cientista que, após descobrir a possibilidade de ressurgimento de um vírus que desolou o mundo a 30 anos atrás, decide realizar uma viagem no tempo a fim de modificar os hábitos populares e impedir que isso ocorra. Em paralelo ao narrado na obra ficcional, o ressurgimento de doenças outrora erradicadas é uma realidade substancialmente presente no território brasileiro - seja pela falta de comprometimento estatal, seja pela fragilidade na conscientização popular. Nesse contexto, convém o emprego de um olhar crítico de enfrentamento acerca do impasse.
A princípio, verifica-se que a inércia do Estado frente a situação se configura como uma das principais causas para a existência do imbróglio. Consoante a Constituição Federal, é dever do Estado garantir a integridade de todos os seus cidadãos, bem como assegurar o seu acesso às medidas profiláticas e aos tratamentos de saúde de maneira gratuita. No entanto, ao analisar a conjuntura nacional corrente, constata-se a existência desse ideal na teoria e não, desejavelmente, na prática, haja vista a aprovação da Emenda Constitucional 95, ao qual prevê um congelamento nos investimentos em saúde por 20 anos. Nesse contexto, tal congelamento acarretou em uma redução de aproximadamente 33% dos investimentos destinados para a prevenção e combate de doenças - conforme dados do jornal O Globo -, comprometendo a eficiência dos programas de imunização e fazendo com que moléstias já erradicas voltem a acometer o tecido social nacional.
De outra parte, a fragilidade na consciência popular acerca da importância da imunização profilática contribui para a persistência do entrave no território tupiniquim. A esse respeito, a coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI), Carla Domingues, afirma que, no passado, a alta taxa de adesão popular a vacinação tornou possível a erradicação de uma série de doenças do Brasil.Todavia, tal fato gerou na população contemporânea o errôneo pensamento de que, por essas doenças apresentarem baixos índices de incidência, não se torna necessário a vacinação e prevenção contra elas. Assim, como consequência para esse pensamento, tem-se a ressurgência de doenças já aniquiladas e a redução de 24% da cobertura vacinal nacional, segundo levantamento do próprio PNI.
É evidente, portanto, a necessidade na mitigação do revés.Destarte, cabe ao Ministério da Saúde, em conjunto com as emissoras televisivas, realizar campanhas que visem sensibilizar e incentivar a população a se vacinar. Para tanto, pode-se utilizar da estratégia de promover a discussão do assunto em programas de grande audiência, convidando especialistas na área e personalidades de alto engajamento social para debaterem a importância da imunização para a erradicação de doenças.