O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 06/08/2020
Milton Santos, geógrafo brasileiro, disse que nunca houve, na história da humanidade, tantas condições técnicas e científicas para a construção da dignidade humana. Nesse sentido, o Brasil vai de encontro ao pensamento do profissional no que tange à saúde, visto que doenças antes erradicadas têm ressurgido no país. Essa situação é decorrente de movimentos antivacina e da baixa cobertura vacinal em determinados estados brasileiros, sendo necessário mudar tal realidade.
Primeiramente, é importante ressaltar que novos casos de doenças, que antes haviam desaparecido, são advindas de movimentos antivacina, os quais foram considerados um dos dez maiores riscos para a saúde global pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso ocorre devido à disseminação das fake news, as quais divulgam que determinadas doenças não existem, que vacinas podem causar autismo, ou mesmo que elas não são eficazes. Além disso, muitas pessoas determinam religião ou estilo de vida como um obstáculo à vacinação, como é o caso de pessoas naturalistas que não aceitam um organismo estranho — no caso, o antígeno — em seu corpo. Diante disso, a falta de informação indica que a população ainda não atingiu a maioridade, conceito do filósofo alemão Immanuel Kant, ou seja, o esclarecimento sobre a questão da vacina e seus benefícios, o que faz com que os indivíduos não imunizados possam contrair as doenças que eram erradicadas e espalhá-las.
Outrossim, é necessário destacar que a cobertura vacinal é equivalente à proteção coletiva, portanto, se ela estiver baixa, a população está em risco. Nesse sentido, segundo dados do Governo Federal, 312 municípios brasileiros estão com a cobertura para poliomelite abaixo de 50%, sendo que houve novos casos no Sudeste e no Nordeste, após 20 anos de erradicação da doença. Ademais, a população deixou de tomar vacinas estipuladas pelo Calendário Nacional, disponíveis em menor quantidade por se tratarem de doenças, supostamente, não mais existentes. Assim, é relevante que a população siga corretamente o calendário de vacinação para evitar doenças circulantes e eliminadas.
Diante do exposto, é perceptível que o reaparecimento de doenças antes erradicadas é responsabilidade tanto da sociedade quanto do governo, sendo necessário reverter a situação. Para isso, o Ministério da Saúde deve estimular a vacinação, por meio de campanhas e propagandas, além de cartilhas que esclareçam dúvidas sobre essa ação, por exemplo os efeitos colaterais e o funcionamento biológico, a fim de que as pessoas tenham mais consciência da importância de se vacinar. Ademais, as escolas devem promover campanhas de vacinação, principalmente para poliomelite e para a tríplice viral, além de exigir do governo mais vacinas para imunizar o máximo de pessoas possíveis, contribuindo e reafirmando o pensando de Milton Santos e a maioridade de Kant.