O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 13/08/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra”. Esse verso do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade pode ser associado a uma temática atual; já que, em meio a uma era de grandes avanços no Brasil, o reaparecimento de doenças erradicadas funciona como uma “pedra” que dificulta o continuísmo do progresso brasileiro. Logo, faz-se necessário debater essa problemática, a fim de minimizá-la.
Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a Constituição de 1988, em seu artigo 6º, garante aos nativos direitos sociais, como saúde. No entanto, o que se nota, pois, na contemporaneidade, é a inoperância dessa garantia constitucional, haja vista a mínima expressividade desse Estado, ainda em vigor, no que tange às medidas de segurança contra essas doenças reemergentes. Isso pode ser comprovado com o fato de que a penicilina, medicamento utilizado no tratamento da sífilis, se encontra em escassez no mercado. Tal contexto demonstra, por conseguinte, um quadro social caótico, o qual precisa ser combatido para a efetivação dos direitos constitucionais.
Além disso, é mister salientar que o individualismo é responsável por comprometer o controle dessas doenças, como a sífilis, que pode ser prevenida pela prática do sexo seguro. Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago propõe, em seu livro “Ensaios sobre a cegueira”, há uma “cegueira moral” presente na conduta de muitas pessoas, o que impede uma valorização de interesses benéficos à coletividade. Dessa forma, a mínima preocupação da sociedade no que se refere à própria saúde, assim como a de outrem, é a principal causa desse problema. Não é de se estranhar, portanto, que, segundo o IBGE, o número de casos de sífilis na última década tenha aumentado em 4 mil por cento.
Desse modo, percebe-se que a volta de doenças antes erradicadas é um imbróglio que necessita de mitigação. Assim, o governo, para fazer valer o artigo 6º da Carta Magna, deve-se realizar investimento no setor da saúde, por intermédio de verbas recuperadas de operação contra a corrupção, como a “Postal Off”. Ademais, a mídia, com seu alto poder persuasivo, deve informar a população sobre a importância da proteção sexual, por meio de campanhas a serem divulgadas em diversos espaços, como rádio, televisão e redes sociais, com o objetivo de retirar a população da “cegueira moral” na qual ela se encontra. Assim, será possível remover as “pedras” drummondianas e assegurar o progresso da nação verde-amarela.