O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 13/08/2020

A primeira vacina, descoberta por Edward Jenner em 1796, representou uma grande conquista na área da saúde, todavia, desde sua criação estas estão frequentemente sujeitas a questionamentos e críticas sobre efeitos adversos. Destarte, apesar de a vacinação ser o principal método de prevenção e erradicação de doenças, com o crescente número de adeptos aos movimentos anti-vacinas e com a imensa desigualdade social no Brasil, propiciou-se o colapso do sistema de saúde, e consequentemente o grande problema do reaparecimento de doenças até então erradicadas no país.       Em primeira análise, a criação do Programa Nacional de Imunizações representou um avanço de grande importância para a saúde pública. No entanto, movimentos anti vacinação são cada vez mais frequentes e persuasivos. Tais movimentos tiveram origem com o estudo fraudado publicado pelo médico britânico Andrew Wakefield, no qual relacionava a vacina tríplice viral com o autismo. A partir da utilização de distorções e divulgação de informações falsas, estes grupos questionam a eficácia e segurança de vacinas. Em virtude disso, de acordo com o doutor em microbiologia Atila Iamarino, tem-se uma queda anual no percentual de pessoas que tomam as vacinas, ficando grande quantidade de pessoas expostas a doenças e permitindo o seu reaparecimento, assim como a seleção natural de micro-organismos resistentes, podendo atingir pessoas já imunizadas e tornando a vacina ineficaz.

Não obstante, o modelo de organização social capitalista e a estrutura de organização do trabalho e das condições de vida das pessoas determinam a forma com que os diferentes grupos se impactam por doenças. Outrossim, segundo Atila Iamarino, a segunda maior causa de não vacinação no país se deve a dificuldade de acesso ao sistema de saúde, causada pela desigualdade. Consoante ao site G1, no início de 2020, 16% da população brasileira não possuía água tratada e 47% não possuía acesso à rede de esgoto, tais números somados aos baixos investimentos no sistema público de saúde e desvio de verbas precarizam a saúde. Dessa forma, comunidades desabastadas ficam expostas a doenças e sem acesso à vacinação, contribuindo involuntariamente para o reaparecimento de tais.

Levando em consideração que o acesso às vacinas e condições sanitárias têm um papel decisivo no controle e erradicação de doenças, fica evidente que são necessárias medidas para dirimir esta problemática. Em vista disso, cabe ao Ministério da Saúde veicular nos meios midiáticos propagandas que informem os cidadãos sobre a importância da vacinação e desmintam notícias falsas, de modo a os informar acerca dos perigos que correm sem a prevenção. Compete também ao Ministério da Saúde investir, juntamente às Secretarias de Saúde, em projetos de saneamento básico e de imunização às famílias carentes. Dessa maneira, poder-se-ia impedir o reaparecimento de doenças já erradicadas.