O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 07/08/2020
No período da Primeira República no Brasil, no Rio de Janeiro, houve o movimento popular conhecido como Revolta da Vacina: pela desinformação da população, muitos acharam que a vacinação causaria a morte dos indivíduos, ocasionando protestos nas ruas e agressão aos profissionais de saúde. Não obstante desse período da história brasileira, é possível enxergar os reflexos dessa sociedade atualmente. Muitas unidades de saúde não tem capacidade de abastecer toda a população local e como agravante há a disseminação de fake news, colocando a vida de brasileiros em risco.
Inicialmente, é fato que o capitalismo fomenta a desigualdade social, acarretando na precarização do sistema público de saúde e favorecendo os que tem acesso ao sistema privado. Há de se considerar que, contrariamente a Constituição de 88, que assegura a saúde como direito de todos e dever do Estado, as regiões periféricas não tem conhecimento sobre a vacinação e seus efeitos, ocasionando maior contágio em lugares menos favorecidos. Além disso, muitos postos de saúde não recebem a quantidade de vacinas necessárias para o abastecimento populacional. Como resultado, vidas são perdidas e a população é mais uma vez prejudicada pela negligência do Estado.
Ademais, vale salientar que a disseminação de fake news é uma ameaça ao bem-estar social. Uma vez que, ao gerar uma notícia contendo informações sobre efeitos colaterais (como autismo e síndrome de down) sem embasamento científico, bem como ataques a comunidade acadêmica, os cidadãos tomam os fatos como verdade e são altamente prejudicados. De maneira semelhante a teoria de Isaac Newton, ação e reação, a qual cada informação falsa implantada, terá como resultado o agravamento do contágio e o retorno de doenças erradicadas se torna mais real. Ressaltando dessa forma, a necessidade de uma fonte informacional segura.
Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde e da Tecnologia, atrelado as secretarias municipais, por meio de verbas governamentais, invistam em melhorias de unidades de saúde em regiões periféricas, bem como na produção de vacinas que abasteçam toda a população. Do mesmo modo, o Estado juntamente com a Secretaria de Comunicação, deve criar um canal de informação segura que sirva de referência, como também mecanismos que sejam capazes de identificar notícias errôneas. Dessa forma, espera-se não só um sistema de saúde democrático, mas também conhecimento útil e verídico a população.