O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 06/08/2020

O avanço tecnológico, indiscutivelmente, contribuiu para os avanços da saúde humana. Entretanto, conforme alertou Milton Santos, existem dois aspectos marcantes da perversidade do mundo globalizado: notícias falsas e movimentos antivacina. O geógrafo brasileiro frisa que o uso inadequado das tecnologias digitais corrobora para a desinformação e o retorno de doenças, soma-se isto ao descaso por parte do Ministério da Saúde que não mais investe em conscientização, resultando no reaparecimento de doenças até então erradicadas no Brasil.

Em primeiro plano, urge analisar a falta de senso crítico dos usuários mediante a internet. Nesse contexto, a ausência de uma análise minuciosa a fim de se certificar de que as notícias ali explicitadas são ou não reais antes de compartilhar, principalmente em aplicativos como WhatsApp e Facebook, implicam em equívocos e um imenso retrocesso no que diz respeito a prevenção de doenças. Diante disso, a Organização Mundial de Saúde emitiu nota em relação ao surto de sarampo que atingiu São Paulo e o Brasil em 2019, alertando que o problema era internacional e devia-se isto ao acúmulo de informações falsas e campanhas contra a vacinação, colocando em risco, inclusive, a saúde da população brasileira.

Ainda nesse sentido, segundo as ideias do sociólogo Habermas, os meios de comunicação são fundamentais para a razão comunicativa. Logo, é válido destacar que meios de comunicações visuais como o “Zé Gotinha”, personagem brasileiro criado para campanhas de vacinação contra o vírus da poliomielite com o objetivo de conscientizar pais e crianças sobre a importância de se manter vacinado e livre de doenças, não é mais visto nos dias atuais. A desvalorização de meios linguísticos e visuais simples como o personagem infantil dificulta o exercício de inclusão e acesso da população a informações acerca de meios preventivos em relação a doenças.

Diante do exposto, é mister que o Ministério da Ciência e Tecnologia invista em meios de atenuar os índices de fake news em âmbito virtual, isso deve ser feito por meio de um projeto de lei entregue a câmara dos deputados. Nele deve constar as ampliações das leis de criminalização das notícias falsas acerca do contágio e prevenção de doenças, a fim de diminuir bruscamente os altos índices divulgados pela mídia. Além disso, é de suma importância que o Estado promova, juntamente com o Ministério da Saúde, campanhas de conscientização que dialoguem tanto com adultos, quanto jovens e crianças alertando sobre a importância de se manter vacinado. Tais ações são indispensáveis à segurança nacional no que tange a prevenção de doenças supracitadas como o surto de sarampo: doença praticamente erradicada no Brasil dos anos 1990 até o início do século XXI.