O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 08/08/2020

A Organização Mundial da Saúde define saúde como um estado completo de bem estar físico, mental e social. Tal definição, no entanto, tem se tornado uma realidade cada vez mais distante em muitos países, inclusive no Brasil. Isso ocorre pelo reaparecimento de doenças já erradicadas como sarampo, meningite, febre amarela e rubéola. Nessa perspectiva, é preciso analisar as causas sociais e políticas do problema em busca de soluções.

Em primeiro plano, observa-se que a sociedade brasileira parece não se alertar com as doenças reemergentes. Segundo Jurgen Habermas, filósofo, o exercício de deliberar em conjunto é essencial à vida em comunidade. No entanto, os indivíduos não dialogam com frequência sobre o perigoso retorno de algumas enfermidades, já que parecem estar mais interessados na vida pessoal do que na coletiva. Assim, em desrespeito a racionalidade comunicativa de Habermas, muitas pessoas não adotam medidas profiláticas necessárias e se pautam em notícias falsas.

Além disso, analisa-se que o reaparecimento de doenças está atrelado à má gestão governamental. Segundo Aristóteles, política é a arte de gerir a pólis visando ao bem comum. No entanto, o governo não prioriza o bem mais precioso que é a saúde. Por mais que o sistema público garanta uma ampla quantidade de vacinas, faltam campanhas completas de divulgação e de reestruturação de postos de saúde. Por consequência, em desacordo com a máxima aristotélica, a distribuição das vacinas é deficiente, gerando a queda na taxa de cobertura de muitas doenças.

Percebe-se, portanto, que o ressurgimento de enfermidades está atrelado à falta de engajamento da sociedade e de organização pública. Nesse sentido, além do aumento do diálogo sobre a saúde coletiva por parte da população, é preciso que o Ministério da Saúde atue diretamente contra as doenças reemergentes no Brasil, por meio da criação de campanhas informativas, da melhoria da logista de  distribuição e da reestruturação dos postos de atendimento. Isso pode correr pela disponibilização de verbas e pela atuação conjunta dos governos federais e municipais, a fim de promover a saúde da população. Com essas medidas, o Brasil poderá diminuir a distância dos ideais propostos pela OMS.