O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 06/08/2020

No início do século XX, Oswaldo Cruz, diretor de saúde pública do Rio de janeiro, enfrentava dificuldades para controlar as doenças regionais. Com isso, o médico impôs a vacinação obrigatória contra a varíola, o que não agradou parte da população. Assim, surgiu a Revolta da Vacina, ação que reuniu a classe popular contra o autoritarismo como forma de combater os surtos das moléstias. Contemporaneamente, é fato que o movimento antivacina - grupo de pessoas que não acreditam na imunização por vacinas - e o aumento das desigualdades sociais favorecem o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, afetando, dessa forma, a saúde pública nacional.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que a vacinação é a forma mais efetiva de combater determinadas doenças. Nesse viés, cabe citar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma lista com as 10 principais ameaças à saúde em 2019 e, entre elas, estava o medo de vacina. Dessa maneira, parte da população está deixando esse método de prevenção de lado, pois não possui informações sobre sua eficácia. Logo, de acordo com o Ministério da Saúde, o número de casos de sarampo cresceu 18% no país, o que causou preocupação, já que, o movimento antivacina tem ganhado força na internet.

Por conseguinte, é válido ressaltar que o agravamento das desigualdades sociais é outro fator que contribui com a volta de surtos de moléstias que estavam controlados. Nessa perspectiva, segundo o estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (FGV-DAPP), municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) não contam com uma saúde pública eficiente e, por isso, tendem a ter mais casos de doenças infecciosas. Sob essa ótica, as classes menos favorecidas são as mais afetadas pelas moléstias, já que, por não possuírem acompanhamento médico regular, não detêm acesso à informação necessário para prevenção dessas patologias.

Portanto, fica claro que medidas precisam ser tomadas para evitar o reaparecimento de doenças erradicadas no país. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde e as Secretarias Municipais de Saúde criem propagandas para informar a população sobre a eficácia das vacinas, divulgando, por meio das mídias sociais e cartazes nos postos de saúde, debates com profissionais da saúde para tirar possíveis dúvidas da população. Além disso, os Governos Estaduais devem contratar médicos e enfermeiros para atuar regularmente em cidades mais pobres do interior, levando campanhas de vacinação para os grupos de risco dessas regiões. Somente assim, o Brasil não contará com a volta de doenças já erradicadas.