O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 06/08/2020

O Preço da Ignorância

Os inúmeros adventos que as ciências da natureza trouxeram ao ser humano, melhoraram consideravelmente sua qualidade e expectativa de vida. Em especial, pode-se destacar o desenvolvimento de métodos profiláticos e tratamentos para enfermidades que até então, eram consideradas como morte certeira. A vacina contra o sarampo, havia diminuído em 75% o número de mortes pela doença no período de 2000 a 2013 e em 2016 comemorava ter oficialmente erradicado o vírus no Brasil. Infelizmente, devido a movimentos que fomentam a ignorância, outros patógenos já erradicados além do vírus sarampo estão em reemergência no país.

As infecções reemergentes são aquelas as quais já foram eliminadas e praticamente não apresentam novos casos, que ressurgem devido á um descaso quanto a seriedade do problema. Pode-se citar a dengue como exemplo pois em 2019 o Brasil registrou o segundo maior número de mortes pela doença nos últimos 21 anos, com 754 óbitos. Ademais, a bacteriose sífilis também tem causado preocupação pelo seu alto índice de espalhamento com 18 casos por hora no país, como aponta o Ministério da Saúde. Observa-se assim a seriedade do problema e a necessidade urgente de combate-lo e para isso, é necessário compreender suas causas.

O motivo que leva um patógeno a reemergir como um problema é principalmente a ignorância. O ato de negar os fatos comprovados pela ciência é o principal causador de problemas como esse, como é o caso do movimento anti-vacina que vem ganhando força nos últimos anos desde que o gastroenterologista Andrew Wakefield associou a vacina tríplice viral ao autismo. Mesmo após a confirmação científica que Andrew estava mentindo e agindo de má fé, o movimento ainda conta com entusiastas em várias partes do mundo inclusive no Brasil, colocando em risco milhares de vidas.

Para que esta situação seja solucionada cabe primeiramente o Ministério da Saúde fazer um intenso trabalho de divulgação científica demonstrando a seriedade das doenças e promover fiscalizações, campanhas e projetos que zelem pela saúde da população. O Ministério da Educação tem um determinante papel nessa luta, podendo incluir na grade curricular das escolas aulas que ensinem medidas profiláticas como o uso de preservativos, importância do saneamento básico e da higiene. Conclui-se então que a ciência é, e sempre será a melhor forma de combater não só doenças, mas também a ignorância.