O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 11/08/2020

Negligência ou falta de informação. Estes são os principais fatores que levam os cidadãos a não se vacinarem em pleno Século XXI no Brasil. Preocupante e mortal. Assim pode-se adjetivar o reaparecimento de doenças já erradicadas em meio à população brasileira. Causa e consequência. Essa é a relação estabelecida entre o ainda baixo número de vacinados e o ressurgimento de enfermidades anteriormente controladas em solos brasileiros.

Em 1798, na Inglaterra, o termo “vacina” era utilizado pela primeira vez. Com uma experiência sobre a Varíola, o médico Edward Jenner descobriu o que futuramente salvaria numerosas vidas, o que hoje é a vacina. Em 2019, no Brasil, cresce o chamado “Movimento Antivacina” que, formado por pessoas motivadas pela religião ou por dogmas, corrobora com o reaparecimento de doenças como Sarampo, que atualmente assola cidades inteiras, como Belo Horizonte. Segundo dados do jornal Estado de Minas Gerais, em outubro de 2019, a cidade teve um aumento de 24% no número de casos da doença. Este fenômeno pode ser explicado por uma afirmação feita pela Secretaria Estadual de Saúde de que a cobertura vacinal acumulada de março de 1997 a março de 2019 ainda está abaixo da média.

No entanto, o Antivacina não é a única explicação para o ressurgimento de tais patologias. De acordo com especialistas, o modelo de desenvolvimento econômico das sociedades também desempenha um papel importante no fenômeno, visto que a desigualdade social, a fome e o desemprego, somados à negligência de líderes governamentais no que diz respeito à conscientização, fazem com que os cidadãos de classes sociais mais baixas tenham uma tendência maior de não seguir corretamente o calendário vacinal do SUS, que é gratuito e disponível a toda população brasileira. Além disso, essas pessoas correm um maior risco de serem infectadas uma vez que as doenças reaparecem, pois grande parte desses cidadãos vive em ambientes com aglomerados de pessoas, o que facilita o contágio.

Portanto, medidas devem ser tomadas para solucionar o impasse. É necessário que o Ministério da Saúde, juntamente das Secretarias de Saúde dos respectivos Estados e Municípios, destine uma maior porção dos impostos a eles destinados pela Receita Federal para a conscientização das classes sociais mais baixas sobre a importância da vacinação. Essa informação chegará através da realização de palestras em escolas e campanhas em bairros. Além disso, é preciso que empresas, dotadas de sua liberdade frente ao estado, exijam de seus funcionários uma comprovação de que foram vacinados para que, dessa forma, os chamados “antivacina” revejam seus dogmas e os efeitos negativos que estes causam a si mesmos e a sociedade. Só assim o Brasil poderá de vez fazer jus aos avanços da ciência e controlar doenças que, devido à anos de pesquisas, têm cura.