O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 06/08/2020
Às luzes de Hannah Arendt, fluindo em direção à morte, a vida do homem levaria consigo todas as coisas humanas, se não fosse a capacidade humana de interrompê-las e iniciar algo novo. Ao transpor a teoria da filósofa, nota-se que essa questão se relaciona, na contemporaneidade, ao desenvolvimento da medicina para o benefício humano, tendo em vista a eliminação das enfermidades. Todavia, a falha no repasse de informações legitimas acerca da vacinação e a falta de investimentos da saúde pública traçam caminhos para o reaparecimento de doenças erradicas do Brasil.
Evidencia-se, a princípio, que a descrença na efetividade da vacinação acarreta no surgimento de novos surtos e epidemias. Seguindo essa lógica, o crescimento dos movimentos antivacinas corrobora na falta de acesso a informações legítimas, de modo que ao se utilizarem de estratégias que distorcem e divulgam informações falsas, questionam a eficácia das vacinas. Desse modo, desencorajam os indivíduos a vacinarem suas famílias, contribuindo para o reaparecimento de doenças erradicadas. Essa conjuntura, no entanto, vai de encontro ao Estatuto da Criança e do Adolescente que assegura o direito à vida e à saúde, de maneira que caso os pais não cumpram com esse dever, devem ser punidos por omissão de cuidado à criança.
Outrossim, é cabível analisar que a escassez de investimentos na Saúde Pública contribui para o retorno de doenças já eliminadas. Quanto a esse fator, vale considerar que, embora a Constituição Federal garanta a todo cidadão o direito à saúde, o Estado não engendra políticas que a assegurem. Nesse sentido, ao não disponibilizar ampla distribuição de hospitais, profissionais de saúde e capital para políticas de combate às mazelas da saúde pública, ocorre seu sucateamento, ferindo o prescrito por lei, na medida em que a baixa cobertura vacinal e a falta de postos de saúde favorecem o retorno de doenças já eliminadas do Brasil.
Depreende-se, portanto, que o debate acerca do ressurgimento de enfermidades é imprescindível para o desenvolvimento do corpo social. Posto isso, o Ministério da Saúde deve, mediante amplo debate entre Estado, sociedade civil e profissionais especializados, lançar um plano nacional de amplificação da cobertura vacinal e o aperfeiçoamento do sistema de saúde, com o fito de prevenir a ressurgência de doenças. Tal projeto deverá focar, primeiramente, em levar à população informações quanto aos benefícios da vacinação e, posteriormente, os profissionais da saúde devem divulgar informações com respaldo científico, como compromisso ético junto à sociedade.