O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/08/2020
‘’E os doutores da ciência vão deitando logo a mão, sem saber se o sujeito quer levar o ferro ou não.’’. A música do cantor Mário Pinheiro representa oposição à política higienista a partir de 1904 contra a varíola, a qual propagava a vacinação obrigatória. Assim como ocorreu no século XX, a hesitação da população brasileira contemporânea em relação a vacinação produz a diminuição da imunização infantil, o que resulta no aparecimento de doenças erradicadas.
A Revolta da Vacina caracteriza-se como uma rebelião de 1904 contra as medidas de saneamento, em que os opositores pregavam o direito do cidadão de preservar o próprio corpo e não aceitar o líquido oferecido pelo Estado. Do mesmo modo, de acordo com a revista Pesquisa FAPESP, atualmente parte dos habitantes brasileiros possuem a percepção enganosa de que não é preciso vacinar por considerar esse ineficaz e maléfico à saúde. Dessa forma, conclui-se que mesmo após 116 anos, a desconfiança quanto ao avanço científico está presente entre os cidadãos.
Como consequência, segundo o Ministério da Saúde, em 2017, as taxas de imunização de crianças contra epidemias, como o sarampo, atingiram os níveis mais baixos relatados. Por conseguinte, o Órgão Nacional informou o triplicamento nos casos de sarampo, doença considerada erradicada no Brasil de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Portanto, observa-se que as ideias desfavoráveis à vacinação compartilhadas socialmente acarretam consequências drásticas à saúde pública.
Em síntese, analisa-se que o reaparecimento de doenças erradicadas resultam da preocupação dos cidadãos perante à evolução científica. Logo, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com as instituições escolares promover um programa educacional por meio da produção de palestras aos pais com agentes de saúde, envolvendo um planejamento estratégico de linguagem popular e artigos medicinais sobre a imunização, a fim permitir um progresso na saúde social brasileira.