O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 07/08/2020

A Revolta da Vacina, movimento popular ocorrido no início do século XX, pôs em xeque a contrariedade populacional a medidas sanitaristas que foram impostas à população carioca, levando a cidade ao caos. De forma análoga, o cenário brasileiro atual enfrenta um novo desafio no âmbito sanitário: o reaparecimento de doenças – outrora – erradicadas, haja vista que a falta de conhecimento da população, aliada à recusa parental, contribuem para que esse problema perdure. Por conseguinte, medidas precisam ser tomadas para solução do impasse.

A priori, uma das causas no que concerne ao ressurgimento de doenças erradicadas no Brasil, é a falta de instrução dos populares sobre o controle de vacinação. Assim sendo, por não haver o conhecimento básico para a vacinação, muitos acabam – até vacinando seus filhos – mas negam-se às vacinas, uma vez que não julgam necessárias a tomada de antivirais. Nesse sentido, mostra-se congruente com esse cenário o pensamento de Kant: “o homem é aquilo o que a educação faz dele”, provando que a informação transmitida por meio da educação instrui o indivíduo atuante em sociedade.

Vale ressaltar que o Estatuto da Criança e do Adolescente garante o direito à vacinação como um dos direitos básicos, entretanto, pais e responsáveis se recusam a vacinarem seus filhos, infringindo assim a lei e a Constituição, ao se ampararem em inverdades que se espalham, principalmente, pelas redes sociais. Uma prova disso está que, em 1998 o médico Andrew Wakefield associou, em artigo, o autismo como resultado da Vacina Tríplice Viral; desde então, notícias – as chamadas Fake News – que dialogam com esse pensamento são difundidas nos meios digitais, possibilitando que a desinformação se espalhe e que doenças – como o sarampo, poliomielite e sífilis – se expandam na sociedade. Em suma, é fulcral que o desafio em questão seja superado.

Conforme diz Newton, um corpo tende a permanecer em seu estado até que uma força atue sobre ele, logo, faz-se necessário que o SUS – Sistema Único de Saúde – em apoio com o Ministério da Educação, forneça cartilhas informativas no que tange à reaparição de doenças, bem como palestras nas comunidades através de agentes e profissionais da saúde para que a cobertura viral seja completa. Além disso, cabe ao Poder Executivo em parceria ao ECA fiscalizar, em maior grau, casos de descumprimento legal e aplicar a lei devida aos responsáveis pelos vulneráveis. Feito assim, a erradicação dessas doenças voltará outra vez a se tornar realidade na terra tupiniquim.