O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 08/08/2020
Na obra Frankstein, da escritora Mary Shelly, o doutor Victor Frankstein vê sua vida arruinada por sua criação, um monstro que se voltou contra seu criador. Nesse sentido, consoante aos acontecimentos do livro, no Brasil, um Estado omisso e um crescente movimento antivacina criam cenário propício para o reaparecimento de doenças previamente erradicas no país. Sendo assim, faz-se mister entender melhor sobre o entorno da volta de enfermidades como o Sarampo e a Rubéola.
Primeiramente, ao gerar medidas de corte de gastos na saúde e na educação, resultando no sucateamento de medidas profiláticas, o Governo fere a sociedade. Em 1904, na cidade do Rio de Janeiro, houve, devido à falta de informação efetiva do Estado somada à negligência quanto a situação dos moradores da até então capital, uma revoltada da população contraria a vacinação obrigatória para o combate da Varíola. Desse modo, evidencia-se como a desinformação sobre a importância e a função da vacina gera descontentamento da população, afastando-a de métodos existente de prevenção de doenças, e faz com que essa fique facilmente sujeita a movimentos anti-intelectuais.
Ademais, a internet é um local de fácil compartilhamento de informações, verídicas ou não, o que fomenta movimentos contrários as ciências, como o caso do terraplanismo e a antivacina. Há pouco mais de 20 anos, o ex-doutor britânico Andrew Wakefield publicou uma pesquisa falsa, parcial e financiada por interesses particulares acerca de uma suposta relação da vacina tríplice viral com o autismo, mas que foi o suficiente para dar suporte para a criação do movimento antivacina, o qual, com a ajuda das redes sociais, se espalha rapidamente, movimento esse contrário à um tipo de imunização responsável, segundo a OMS -Organização Mundial da Saúde-, pela vida de 2 a 3 milhões de pessoas por ano no mundo. Por conseguinte, uma população sem conhecimento alinha-se a esse movimento causando uma parcela de indivíduos suscetível e não protegida a doenças antes controladas.
Portanto, em virtude dos fatos mencionados, fica claro como a omissão dos governantes e o espalhamento de pós-verdades na internet contribuem para novas vítimas de doenças já consideradas erradicadas no Brasil. Dessa forma, os Governos Federais, em conjunto ao Ministério da Saúde e o da Educação, devem promover a conscientização da população, por meio da realização de palestras, com especialistas da área de imunologia, nas escolas de todo o país em fim de semanas, para responder pais e alunos sobre dúvidas sobre o assunto e desmentir pós-verdades, e, por fim, o Estado cumprirá seu papel e o movimento antivacina perderá sua força. Consequentemente, a sociedade diminuirá sua produção de monstros.