O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 07/08/2020
Contemporaneamente, diversas doenças, antes taxadas como erradicadas no Brasil, estão reaparecendo em grande volume, e tal situação deve-se principalmente aos seguintes fatores: insuficiência de investimentos do governo brasileiro em pesquisas científicas capazes de mapear a evolução de um determinado vírus ou bactéria, de modo a inibir a evolução desses organismos causadores de doenças antes erradicadas, bem como a inércia do poder público na execução de obras de infraestruturas das cidades, o que resulta na disseminação de seres vivos vetores de vírus transmissores de doenças que até o início do século XXI não eram tão presentes na sociedade brasileira, como é o caso do mosquito “Aedes Aegypti”, vetor da Dengue e da Chicukunguya.
Como decorrência primeira desses fatores, a população brasileira, sobretudo a população periférica, que habita bairros sem infraestrutura adequada para moradia e conta com um sistema precário de saúde, é vítima, muitas vezes fatal, das doenças antes tidas como erradicadas. Tal situação sugere, assim como no livro Vigiar e Punir, de Michel Focault, que o poder público está a par de toda a situação envolvendo o reaparecimento dessas doenças na sociedade, mas não toma atitudes concretas para cessar essa problemática como forma de “punir” a população periférica, mantendo-a à margem da sociedade e, aos poucos, dizimando-as por uma forma que soe dentro da legalidade.
Em segundo lugar, o reaparecimento de doenças antes erradicadas no Brasil gera o aumento expressivo de procura de atendimento no Sistema Único de Saúde, aproximando o sistema público de saúde brasileiro do colapso, situação que impossibilita o atendimento de todos os pacientes.
Assim, para resolver o impasse o Ministério da Saúde e o Ministério das Cidades devem apresentar ao Congresso Nacional projeto de lei que regulamente infraestrutura adequada para as cidades brasileiras e delimite percentual orçamentário de investimento na ciência. Espera-se, com essa medida, que as doenças erradicadas se mantenham como tais.