O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 07/08/2020
Durante o século XX, surgiu, na França um conjunto de teorias sociais, políticas e científicas, denominado Positivismo. Essa corrente pregava o uso da razão para analisar o meio social e, com isso, criaram a lei do progresso, a qual afirmava que toda sociedade evolui de forma linear e universal. Entretanto, a volta das doenças erradicadas configura-se como uma chaga social que dificulta o desenvolvimento do Brasil. Este fato é decorrente, principalmente, da inobservância estatal e da indiferença da sociedade em relação ao tema.
Primeiramente, quanto ao papel do Estado, é importante voltar a atenção para o documento promulgado em 1988, conhecido como “Constituição cidadā”. Este garante, em seu artigo 5°, o direito a saúde pública, apesar do cenário atual revelar a existência de práticas que divergem desse princípio. A esse respeito, Thomas Jefferson afirmava que “a aplicação das leis é mais importante que a sua elaboração”. Tomando a frase do terceiro presidente estadunidense, nota-se a dificuldade do poder público em concretizar seus mandamentos constitucionais, o que facilita o reaparecimento de doenças que já foram eliminadas no país.
Em segundo lugar, é pertinente salientar a ineficácia das instituições de saúde e educação em promover a conscientização sobre a importância da vacinação, visto que, doenças como o sarampo voltaram após anos sem casos. Acerca disso, José Murilo de Carvalho debate em seu livro “cidadania no Brasil” a persistência das desigualdades sociais e afirma que os direitos civis são privilégios dos ricos. A afirmativa do autor é evidenciada nos problemas sanitários do Brasil, em que, grande parte da população não tem acesso a um saneamento básico de qualidade e a informações sobre cuidados com a saúde. Favorecendo assim, o início de epidemias no país.
Pra minimizar a problemática do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, é fundamental uma política que se oriente pelo princípio da responsabilidade compartilhada e adote a articulação de esforços entre governo e sociedade, com intuito de eliminar essas efemeridades novamente. Logo, é inerente ao Estado, como gestor dos interesses coletivos, efetivar seus mandamentos constitucionais e em conjunto com as mídias, desenvolver campanhas publicitárias nas redes sociais e canais televisivos, a respeito dos sintomas e cuidados para prevenção das doenças que voltaram após anos sem casos. Como também, é inerente as escolas que tem papel social, criarem palestras nas reuniões com os pais dos alunos em relação ao dever de vacinar seus filhos. Efetivados esses passos, a realidade brasileira entrará em ressonância com a lei do progresso proposta pelos positivistas.