O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 07/08/2020
Ao longo de toda a história da humanidade as doenças sempre marcaram sua presença nas sociedades humanas. No século XIV, uma bactéria conhecida como Yersinia pestis causou a morte de aproximadamente um terço da população da Europa. Essa enfermidade ficou conhecida como Peste Negra por causar necrose nos locais onde a pulga picasse. Apesar de terem declarado essa doença como extinta, no século XXI houve casos confirmados em alguns países da Ásia. Tendo isso em vista, pode-se afirmar que é necessário uma atenção maior dos órgãos de saúde internacionais sobre a possibilidade de retorno de doenças teoricamente erradicadas.
Segundo estudos publicados nos anos de 2015 e 2016 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), o Brasil que é considerado um dos países com melhor cobertura vacinal do continente americano, notificou elevados índices de doenças consideradas controladas, como por exemplo, o sarampo, a tuberculose e a meningite. Diante do exposto, observa-se que a elevação no número de casos dessas moléstias se deve principalmente por uma redução na cobertura vacinal brasileira. Essa redução, é causada por uma acomodação de algumas partes da população e também por movimentos antivacinação que disseminam informações negativas sobre os possíveis efeitos da vacina.
É notório que o reaparecimento dessas doenças tem ocorrido com forte expressão na Região Sudeste do Brasil. Isso se justifica pelo fato de ser uma região com uma alta densidade demográfica, ou seja, há um elevado número de pessoas por metro quadrado. Essa característica faz com que as doenças sejam mais facilmente transmitidas de uma pessoa para outra. Nesse caso, há dois problemas a serem enfrentados pelas autoridades de saúde pública, o primeiro é a questão da cobertura vacinal e o segundo são as notícias falsas relacionadas aos efeitos da vacinação. É interessante observar, que se essa tendência continuar, o país enfrentará uma crise de saúde pública em decorrência de novos surtos de doenças que até então estavam controladas.
Portanto, para que haja um controle pleno sobre as doenças que reapareceram no Brasil, é necessário que haja uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Economia. A curto prazo, é importante que ocorra campanhas de conscientização sobre a importância da vacinação e sobre os seus benefícios acerca da imunização contra potenciais patógenos. A longo prazo, é fundamental que seja realizado um investimento financeiro objetivando uma maior cobertura vacinal no país, atingindo as populações de todas as regiões do Brasil. Dessa forma, essas enfermidades serão novamente controladas e a população, protegida.