O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 15/08/2020

“Aquele que não tem tempo para cuidar da saúde vai ter que arrumar tempo para cuidar da doença”. A frase de Lair Ribeiro, médico brasileiro, relaciona-se com o cenário brasileiro no que tange ao reaparecimento de doenças erradicas, visto que a prevenção é um meio imprescindível na contenção epidemiológica. No entanto, devido a disseminação de notícias falsas e, por conseguinte, a banalização em relação ao aumento das infecções e óbitos, vivencia-se a persistência da conjuntura.

A princípio, a propagação de notícias falsas dificulta o combate às epidemias, por dividir a opinião popular. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o movimento antivacina é tão perigoso quanto o próprio vírus, porque ameaça o progresso da contenção das doenças que são evitáveis pela vacinação. Com isso, os indivíduos que entram em contato com as Fake News relacionados a ineficácia e malefício da vacinação passam, frequentemente, a duvidar das pesquisas científicas, de modo que não participam de prevenções, além de propagar tal ideia. Dessa forma, aumentam-se os desafios de contenção das patologias epidêmicas, visto que o conhecimento a respeito da proteção, sintomas e tratamentos são essenciais no controle das enfermidades e, quando deturpados, geram movimentos que confrontam as verdades científicas e dificultam os avanços da saúde brasileira, assim como evidenciado pela OMS.

Consequentemente, há um crescente contingente de infectados, de modo que tal conjuntura torna-se parte do cotidiano da sociedade. Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, a banalidade do mal é caracterizada por um cenário caótico que passa a ser visto a partir de perspectivas cotidianas e naturais. Em conformidade a esse pensamento, as epidemias são consideradas comuns, como se as opções referentes à problemática envolvam a aceitação e, no máximo, realizar o tratamento hospitalar, enquanto a contenção delas apresenta-se distante. Dessa maneira, os indivíduos, constantemente, não questionam tais números e, por vezes, não buscam ações efetivas, a fim de evitarem mais casos das doenças, fator que banaliza a conjuntura do aumento dessas infecções.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar essa problemática. Com isso, o Ministério da Comunicação deve instruir a população sobre as inverdades do movimento antivacina, de modo a disseminar os fatos científicos sobre a relevância da vacinação e a sua eficácia. Isso deve ocorrer por meio de propagandas nas redes sociais e televisivas, com profissionais da saúde que abordem sobre a importância da prevenção como forma de evitar o reaparecimento de doenças erradicadas. Para que, assim, os números de doentes não venham a ser banalizados, mas encarados a partir da ciência e com posicionamentos críticos da população brasileira.