O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 08/08/2020
Em conformidade com o filósofo Platão, ‘‘O importante não é viver, mas viver bem’’. Desse modo, nota-se que uma boa qualidade de vida ultrapassa a questão da própria existência. Mediante a isso, é evidente que com o advento da vacinação a sociedade pode usufruir de uma melhor qualidade e expectativa de vida, uma vez que foi possível a prevenção e eliminação de muitas doenças. Contudo, é notório reaparecimento de algumas enfermidades, a exemplo do sarampo, antes erradicadas no Brasil, devido não só a desigualdade social, mas também a existência de movimentos antivacina.
Em primeira analise, vale ressaltar que de acordo com Constituição Federal Brasileira de 1988, a saúde é um bem de todos, sendo dever do Estado garantir esse quesito. Contudo, mesmo diante da disponibilidade da vacinação gratuita na rede pública, a escassa assistência governamental para com a população carente é responsável pela negligencia desse direito. Dessa maneira, o governo não investe em uma educação de qualidade na qual informe seus cidadãos sobre a importância da vacinação na prevenção de doenças, além disso recursos básicos, como saneamento e água potável, são ausente nas regiões mais pobres do país, intensificando a proliferação de parasitoses, além de possibilitar o reaparecimento de doenças que já foram erradicadas.
Outrossim, vale lembrar que no ano de 1904, ocorreu a Revolta da Vacina no Rio de Janeiro, um protesto popular contra a vacinação obrigatória. Atualmente, é perceptível que o retorno de doenças erradicadas está diretamente relacionada com movimentos antivacina, que por meio de informações e pesquisas falsas, difundem relatos de que a vacinação pode causar transtornos como o autismo. Dessa modo, devido a isso, muitos cidadãos optam por não vacinarem seus filhos e a si próprio, entretanto a escolha individual não deve prejudicar o direito coletivo, uma vez que pessoas não vacinadas são portas de entrada para o reaparecimento de doenças, podendo infectar pessoas imunocomprometidas, o que deixa de ser uma escolha individual tornando-se uma questão de saúde pública.
Sendo assim, medidas devem ser tomadas para a resolução do impasse. É dever do Ministério da Educação em parceria com as instituições de ensino, a realização de palestras mensais nas escolas com profissionais da área da saúde que informem os alunos, por meio das educação, sobre a importância da vacinação na erradicação de doenças, com o objetivos de formar cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres. Além disso, é dever do governo aliado com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, por meio da arrecadação de impostos, a realização de um maior investimento financeiro nas áreas aonde o saneamento básico é precário, com o intuito da igualdade na proteção da saúde populacional. Pois somente assim, pode-se não apenas viver, mas viver bem.