O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 07/08/2020
Gregório de Matos, importante poeta brasileiro do Barroco, ficou conhecido como “Boca do Inferno”, por denunciar de maneira ácida os sólidos impasses que assolavam o século XVII. Sob essa perspectiva, é conspícuo que, hodiernamente, caso estivesse vivo, o autor produziria sátiras acerca da liquidez do combate ao reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, visto que tal empecilho afeta o corpo social. Nessa ótica, é fulcral pontuar, de início, os aspectos intrinsecamente ligados a esse imbróglio, com foco na omissão estatal e negligência escolar.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que a inércia governamental no que tange à tomada de medidas é um agravante desse revés. Sob esse viés, consoante ao conceito de “Contrato Social”, Thomas Hobbes defende que é dever do Estado garantir o bem-estar da sociedade. Entretanto, depreende-se que este ideal está defasado, haja vista que o governo tem decrescentemente investido em propor campanhas de combate e vacinação contra doenças erradicadas, a qual aguarda a propagação de tais enfermidades para agir. Nessa conjuntura, quando o Estado investe minimamente em impedir o retorno de doenças, além de deturpar a visão de Thomas Hobbes, contribui para formação de pandemias e redução da qualidade de vida social.
Ademais, em segunda circunstância, é incumbência da escola minimizar o reaparecimento de doenças. Nesse espectro, conforme o escritor brasileiro Rubem Alves, há escolas que são asas e há escolas que são gaiolas. Sob essa vertente, é válido salientar que a instituição de ensino ao se assemelhar à visão de gaiola do pensador, não propõe aulas e palestras lúdicas para jovens e crianças sobre hábitos de profilaxia e prevenção de doenças que poderão retornar ao ápice. Nessa lógica, ao seguir o ideal de Rubem Alves, escolas quando não incentivam estudantes a possuírem costumes salubres e preventivos, ocasionam a formação de um ser individualista, sem participação efetiva no combate ao reaparecimento de enfermidades.
Em virtude dos fatos supracitados, urge que medidas sólidas sejam tomadas para mitigação desse entrave. Destarte, seria imperioso que o Ministério da Saúde, como braço do governo na elaboração e execução da Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), mediante à parceria com Ministério da Educação, realize palestras e aulas gravadas sobre a importância em prevenir doenças erradicadas, para que sejam transmitidas aos estudantes e estes tentem adquirir hábitos preventivos com fito de que algumas enfermidades permaneçam extinguidas. Outrossim, o Estado deve realizar projetos de vacinação e aferição sobre a disseminação de doenças. Assim, poder-se-á afastar o âmbito nacional das críticas de Gregório Matos.