O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 14/08/2020

Conforme as reflexões do filósofo espanhol Miguel de Unamuno, “a pior intolerância é a da razão”. A partir dessa linha de raciocínio, é possível traçar um paralelo com uma das temáticas que mais aflige a sociedade hodierna: Brasil e o retorno de enfermidades erradicadas. Logo, é necessário que haja o entendimento das origens do problema e os motivos de sua persistência na atualidade, para que agentes competentes solucionem esse entrave no país.

A priori, é crível afirmar que a resistência contra a imunização artificial tem raízes históricas. A confirmação é dada pela Revolta da vacina no Rio de Janeiro em 1904, no contexto das reformas urbanas promovidas pelo prefeito Pereira Passos. A Lei da vacinação obrigatória desencadeou o conflito, pelo fato de a população não ter sido educada sobre a importância desse produto. Portanto, a desconfiança e o precário acesso à informação foram cruciais para a convulsão social supracitada.

Por outro lado, outros setores da coletividade estão preocupados com o rumo da problemática abordada, como a indústria cinematográfica. Exemplo disso é o seriado “Grey’s Anatomy”, que na 10ª temporada retratou um surto de gripe no hospital em que a série se passa, que poderia ter sido evitado se os médicos fossem vacinados contra a doença mencionada. Dessa forma, a vacina foi apresentada de maneira lúdica e educativa para os telespectadores, a provocar a reflexão sobre sua relevância.

À luz do exposto, torna-se essencial que o Estado tenha uma relação simbiótica com a mídia e com as escolas, com o intuito de tomar medidas eficazes ao combate do retorno de doenças erradicadas. Primeiramente, o Ministério da Saúde, com os meios de comunicação de massa, deve investir em campanhas publicitárias de grande alcance sobre as infecções mais importantes, grupos de risco e locais de aplicação de vacina. Já o Ministério da Educação precisa destinar verbas às escolas públicas e privadas, que serão destinadas às aulas e palestras sobre educação sanitária. Apesar de a vacinação para menores de idade ser assegurada pela Carta Magna de 1988, existem pais e responsáveis que são adeptos ao movimento anti vacina. Para que essa situação seja amenizada, os agentes da saúde  pública devem também fiscalizar a caderneta de vacinação desse grupo de crianças e jovens, e posteriormente aplicar multa, caso não esteja de acordo com os prazos. O capital arrecadado poderá ser destinado à produção de novas vacinas e pesquisas científicas. Com esse conjunto de medidas, o aludido tema será solucionado paulatinamente e o Brasil caminhará para o progresso.