O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 16/08/2020

A revista “The Economist”, do Reino Unido, afirmou que epidemias tendem a ser menos letais em países altamente democratizados, devido à plena circulação de informações. Contudo, no Brasil, nação adepta ao regime democrático, vê-se um cenário de reemergência de doenças como o sarampo, a varíola e a gripe A, consideradas extinguidas. Nesse sentido, a desinformação e a precariedade das estruturas públicas de saúde são fatores que corroboram para a perpetuação, assim como a urgência de discussão dessa recidivante problemática.

A priori, é válido ressaltar o papel mister da ignorância acerca da importância do processo de vacinação para o reaparecimento de doenças erradicadas no território. Outrossim, o filósofo e professor português Boaventura Santos, defende a tese de que as democracias estão cada vez mais vulneráveis às “fake news”. Consoante a seu pensamento, ganhou força nos últimos anos o movimento antivacina, que influenciado por figuras ligadas à saúde, bem como por razões dogmáticas, buscam a cura em formas de medicina alternativa, por exemplo, a homeopatia. Tais práticas não possuem comprovação científica de sua eficácia ao tratamento de doenças, assim, uma população desinformada sobre as transmissões e as prevenções destas torna-se progressivamente mais vulnerável ao seu contágio.

Ademais, a negligência do sistema de saúde pública, acarretou em 2019, uma taxa de 66% de mortes em casos de gripe causadas pela sua variante H1N1. Mesmo que a vacina Trivalente garanta a imunização dos cidadãos à gripe suína, a falta desse recurso em disponibilidade nos postos de saúde, principalmente no Estado de São Paulo, causou 148 óbitos. De acordo com Sêneca, filósofo do Império Romano, é parte da cura o desejo de ser curado, logo a outra parte é responsabilidade do Estado, tendo o papel de promover o bem-estar de todos. Já que no contexto capitalista os indivíduos são submetidos a altas cargas de estresse e tensão, o que leva a uma baixa na imunidade, favorecendo a disseminação e reaparição de várias enfermidades.

Portanto, é fundamental que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização do povo brasileiro, a respeito da vacinação, urge que o Ministério da Saúde em parceria com os canais midiáticos, principalmente as redes sociais, criem questionários obrigatórios sobre o quadro de imunização dos internautas. Além da instalação de laboratórios produtores de vacinas em regiões metropolitanas, por meio de verbas governamentais com o fito de aumentar as taxas de vacinação e consolidar uma consciência de bem-estar coletiva, demonstrando o risco de doenças consideradas erradicas. Somente assim será possível a construção de um Estado Democrático de Direitos que visa a saúde de seu povo, como almejava Sêneca.