O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 12/08/2020

Desde a Antiguidade, as doenças são idealizadas como uma das piores mazelas da humanidade. A Peste, no exemplo clássico da Bíblia, é um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, mostrando sua tamanha importância no imaginário cotidiano. A ciência nos trouxe os antibióticos, vacinas, e, em geral, uma nova visão sobre a higiene básica  e de como tudo isso em conjunto pode salvar vidas. Infelizmente, nos últimos anos, doenças já erradicadas estão voltando para a sociedade, e no Brasil não é diferente. Aqui, inclusive, o caso é ainda pior, pela falta de preocupação do governo com a saúde pública nacional, que contribui para essas reaparições.

Primeiro, a falta de saneamento básico no país ajuda essas doenças a voltarem. Perto de um a cada cinco brasileiros não tem acesso a água própria para uso, e um a cada três - número alarmante - não tem atendimento de esgoto, segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios. Essa falta de infraestrutura, que deveria ser provida pelo Estado, corrobora para proliferação de vetores de doenças como a dengue, e a consequente falta de higiene corrobora para a infecção de, por exemplo, doenças microbianas como a gripe e a escarlatina (esta sendo um caso de reaparição).

Além disso, há o constante corte de verbas na saúde pública e na pesquisa científica brasileira. Só o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações teve redução de quase quarenta por cento na sua verba, de 2018 para 2019, de acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Inúmeras pesquisas, sobre, por exemplo, remédios mais eficientes ou novas vacinas, estão paradas por não ter dinheiro o suficiente para continuar. Há também muitas unidades do SUS com falta de profissionais, leitos e medicamentos. Isso tudo impede as devidas medidas de erradicação e prevenção de qualquer doença, não só as ressurgidas.

É importante também falar dos movimentos antivacina: a simples vacinação do povo brasileiro ajudaria a acabar com uma série de doenças, mas a desinformação sobre as vacinas se prolifera cada vez mais no mundo. Junto aos mutirões de vacinação já muito eficientes, é preciso forte campanha por parte do governo em combate à desinformação e mostrando a importância de se vacinar.

Em suma, o problema de reaparição de doenças erradicadas no Brasil tem que ser combatido pelo governo, que deve investir em infraestrutura na saúde pública, provendo saneamento básico e verba para pesquisas científicas e hospitais públicos, e promover campanhas de combate à desinformação científica e fomento da vacinação pública. Com isso, o Cavaleiro da Peste não mais nos amedrontará.