O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/08/2020
Durante a baixa Idade Média milhares de pessoas sofreram com a disseminação da peste bubônica. No período atual, apesar da presença de vacinas e dos avanços científicos, cenários semelhantes ainda são comuns em razão da falha na educação da população e da presença de movimentos anticientíficos.
Em primeiro lugar, é preciso destacar que a primeira medida profilática contra qualquer tipo de doença é educar os indivíduos a cerca da prevenção. Se tal papel não for adequadamente executado pela Instituição Escola, pilar fundamental na formação do conhecimento do indivíduo, a eficácia no combate a certas doenças será comprometida. Como bem enunciou o sociólogo Emille Durkhein, instituições sociais como Escola, Família, Igreja e Estado têm papel fundamental no bom funcionamento da sociedade. Portanto, se o Estado intervém com ações de saneamento básico e campanhas de vacinação, mas a escola falha ao educar a respeito da importância de hábitos de higiene e da adesão à vacinas, não estará havendo complementação entre as ações de ambas instituições, resultando na falta de coesão e na desordem, tendo como efeito a ineficácia em relação ao combate à doenças.
Outrossim, a questão acima levantada é agravada pela presença de ideias anticientíficas que circulam em sociedade. Tais ideias podem ser definidas como aquilo que o filósofo Francis Bacon definiu como ídolo do teatro, pensamentos sem nenhuma fundamentação ou critério científico que muitas vezes são aceitos pelos indivíduos, os levando a tomar decisões erradas. Sendo assim, é visível que elas são prejudiciais não só ao indivíduo, mas a sociedade como um todo, já que descredibiliza importantes métodos de prevenção de doenças, viabilizando a ocorrência de epidemias.
Diante disso, é indispensável que medidas que façam frente à propagação de doenças sejam tomadas. Isso poderia ser feito pela Instituição Escola através de oficinas que tenham saúde como temática, em que sejam expostas as doenças que mais assolam o território nacional e as medidas profiláticas contra elas, para que os indivíduos tenham dimensão da importância de combater essas doenças, corroborando com ações que viabilizem tal combate. Por outro lado, o Legislativo poderia sancionar leis que coibissem através de multas ou punições, indivíduos que propagassem ideias que incentivassem a recusa à vacinação e aqueles que privassem a si e a seus filhos de vacinas, para que tais ideias sejam combatidas, evitando que mais indivíduos ponham a si mesmo ou aos outros em risco. Assim, o a luta contra a propagação de doenças será realizada de maneira efetiva, proporcionando mais saúde e segurança à sociedade.