O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 15/08/2020

O movimento antivacina que não é uma novidade tem se disseminado através de publicações na internet e ganhado cada vez mais força, já que algumas pessoas tidas como influenciadoras digitais têm aderido ao movimento e, inclusive, propagado-o publicamente em suas redes sociais. Consequentemente, trazendo de volta doenças já erradicadas no Brasil. Diante disso, a conscientização é a principal ferramenta de médio e longo prazo e a intervenção do Estado se faz necessária.

A discussão a respeito da reformulação do programa educacional do ensino brasileiro precisa levar em consideração a formação de um cidadão treinado para além do vestibular. Com isso, formar um indivíduo capaz de entender o seu papel na sociedade e discernimento para distinguir um bem individual de um bem público, uma vez que doenças com potenciais epidemiológicos tendendem a se tornar pandemicas no contexto de globalização.

O direito à vida é um dos direitos e garantias fundamentais assegurados pela Constituição Federal em seu artigo 5º, e tem como características a inalienabilidade, a imprescritibilidade e a irrenunciabilidade. Nesse sentido, é necessário frizar que a saúde pública é um bem tutelado pelo Estado e que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolecente) em seu artigo 14,  parágráfo 1º diz que: “É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”. Todavia, segundo o Ministério da Saúde o número de bebês e crianças vacinadas  tem diminuido.

Diante desse cenário, conter o avanço do número de não imunizados é papel do Estado. Nesse sentido, um trabalho sinérgico das equipes de saúde apoiados por representantes da justiça pode ser uma alternativa de contenção. Além disso, a inserção de profissionais da saúde em ambientes escolares trazendo conhecimento especializado para o debate e um modelo de saúde preventiva para lidar com doenças do tipo emergentes que ainda não contemplam vacinas de alta eficiência, como a dengue ou a leishmaniose também é de extrema importância.

Assim, o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil pode ser solucionado e a saúde pública, bem tutelado pelo estado, poder ser gerida da maneira em que ela se mostra mais eficiente: preventivamente.