O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/08/2020
No ano de 1904, no Rio de Janeiro, ocorreu a Revolta da Vacina, onde grande parte da população, recusou a vacina por não saber qual a finalidade e em razão do medo propagado por diversos segmentos sociais no que se refere à aplicação desse métodos preventivo. Análogamente, é inegável que até os dias atuais, a saúde pública brasileira melhorou em inúmeros aspectos. Todavia, no atual cenário, devido as informações falsas quanto à eficácia da vacina e a precariedade do saneamento básico, doenças tidas como erradicadas estão reaparecendo.
Em 1998, o médico britânico Andrew Wakefield publicou um estudo em que relacionava a vacina tríplice viral, a qual previne contra a caxumba, sarampo e rubéola ao autismo; pouco tempo depois foi descoberto que houve fraude em algumas informações dos pacientes estudados, contudo, as informações já haviam chegado na população, que as disseminou e passou-se a serem consideradas como verdadeiras por grande parte da sociedade. Tal fato influencia diretamente na atualidade, que desestimula os pais a não utilizarem este recurso profilático em seus rebentos - que em 2017, um surto de sarampo ocasionou em mais de 110 mil mortes, segundo a OMS. Sendo assim, caso não seja controlado agora, muitas outras doenças irão ressurgir, mesmo havendo vacinas dadas pelo SUS.
Outrossim, a Constituição Federal assegura a saúde a todos os cidadãos. Porém, em contraste com a obra “O Cortiço” do naturalista Arthur Azevedo, a qual evidencia moradias precárias e insalubres no final do século XIX; 48% dos brasileiros não têm coleta de lixo - consoante ao Instituto Trata Brasil -, esta ineficácia no sistema de saneamento básico corrobora para a proliferação de inúmeras doenças (inclusive as que já estão quase extintas) e o contágio se dá pela aproximação de comunidades entre todo esse lixo não coletado. Destarte, urge a extrema necessidade da melhoria na coleta de lixo para o bem-estar, que segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, deve ser garantido pelo Estado.
Portanto, é inadiável que o Estado, adjunto ao Ministério da Saúde, planeje e desenvolva projetos e políticas públicas mais eficazes para estimular a vacinação, por meio de palestras de médicos e cientistas nos canais de comunicação, com a finalidade de que todos tenham a consciência devida e participem das campanhas de vacinação, já existentes, contribuindo com a erradicação de doenças. Ademais, é imperioso que o Estado em conjunto às prefeituras, melhorem a coleta de lixo, através da implementação do saneamento básico em todo o território brasileiro, a fim de melhorar a qualidade de vida de todos. Dessa forma, poder-se-á aproximar-se da declaração dos Direitos Humanos, e por conseguinte, preservar os privilégios estabelecidos.