O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 08/08/2020
Em alusão ao comportamento psicossocial da sociedade europeia durante a crise epidemiológica da peste bubônica que assolou a Idade Média em decorrência de uma desvalorização das medidas sanitárias por julgar tal doença um castigo divino. De maneira semelhante, a conjectura da esfera hodierna reflete a mesma cultura vigente ao subestimar a importância da vacinas diante de patologias ditas como “erradicadas” no Brasil, contribuindo para o reaparecimento das mesmas e expondo o segregacionismo econômico ao apoio não equitativo do Estado, tornando a problemática uma questão social.
Convém ressaltar, a princípio, que a descrença no sistema biológico da vacina é consequência inerente da ausência de informação que se segrega historicamente nas classes que não detém de grandes poderes aquisitivos, logo, são privadas de acessar o conhecimento. Como prova disso, cita-se o sociólogo Karl Marx que denota um pensamento socioeconômico denominado “Luta de classe” em que há uma subordinação hierárquica de valores, e privilégios atribuídos a uma posição social, muitas das vezes marcada pela desigualdade e marginalização de um público referente. Sob tal perspectiva, infelizmente, se acentua problemas indubitáveis para a comunidade isenta do apoio governamental que não valoriza investimentos com vacinas, não incluindo-as no SUS- Sistema Único de Saúde - fazendo com que o único acesso derive de hospitais privados.
Outrossim, segundo o pensamento do filósofo contratualista John Lock, é dever do estado assegurar que todos os cidadãos gozem de seus direitos constitucionais. No entanto, tal pensamento é deturpado na prática, haja vista que a constituição de 1988 garante em seu Art.5 o pleno acesso a saúde, independentemente da renda. Deste modo, é inadmissível que surgimento de doenças já controladas sejam centralizadas em comunidades pobres devido a irresponsabilidade da República Federativa em não criar mecanismo que forneçam a este público apoio de prevenção. Logo, torna-se iminente medidas que desestruture essa conjectura.
Surge com isso a latente necessidade do Estado em parceria com o Ministério da Saúde promova projetos de cunho pedagógico em que há o caráter medicinal como tentativa de transmite informações á respeito das prevenções sanitárias, transmissão e contaminação de doenças. Ademais, pode-se abrange o projeto a campanhas de vacinas por meio de investimentos regulares e constantes nos postos de saúdes já existentes, trazendo profissionais da saúde para enfatizar a importância da vacina. Somente dessa maneira será possível a construção de uma sociedade que não oferece oportunidades ao reaparecimento de doenças já erradicadas, tal qual ocorreu na Idade Média.